Pelo movimento da potencialidade humana
As grandes decepções com os políticos não devem calar os sentimentos de esperança, porque se existem pessoas honestas no meio social, dali irão irromper também homens públicos do mesmo quilate. Já passaram pela história política brasileira figuras honradas, e não se pode negar que muitas delas ainda pontificam na atividade pública. Verdade que, no Brasil, viceja uma maioria de oportunistas nos cargos eletivos e nas funções nomeadas, porque, se muitos não cometem as irregularidades clássicas, no mínimo concordam em silêncio com polpudos ganhos e vantagens, e isto também caracteriza corrupção.
Conquanto impere esta realidade, os ideais de conquista da honradez e da probidade na administração pública - aí compreendendo-se todos os Poderes - não podem capitular, porque isto seria decretar a falência do próprio tecido social. A potencialidade humana disponibiliza de suficiente poder, que lhe é inerente, mas só aos poucos ela vai despertando e se revelando. Se maus políticos e maus governantes existem e caminham impunes pelas trilhas da corrupção e da baixa operância, é porque são julgados por eles próprios por via de inócuas comissões parlamentares de inquérito e outras investigações de faz-de-conta que ocorrem no círculo dos iguais. As serpentes não devoram serpentes, pelo processo de defesa natural das espécies. Mas quando um poder externo de investigação entra em cena, fenômenos começam a acontecer.
Não há que desanimar se este e mais aquele fato denunciados não progridam na investigação e na sanção aos culpados, porque há um processo de evolução em andamento no íntimo da sociedade e cada vez mais o povo tende a reagir. Porque as coisas vão chegando a pontos de exaustão e em determinado momento uma grande explosão irá acontecer, e então sobrarão poucas pedras sobre as estruturas viciadas e corrompidas. Porque a história tem revelado que nenhum mal perdura eternamente e, mesmo que isto demore um pouco mais, ninguém segura um povo cheio de razão.
O brado e as ações de libertação contra as tiranias serão vitoriosos porque irão brotar na alma de cada cidadão e do repositório de moral que reside, latente, no profundo de seu ser. Isto surgirá espontaneamente, não a partir de instituições mas das minorias, que irão se aglutinando e gerarão uma força tão poderosa que nada a deterá, e então também poderes já estruturados se engajarão. Nenhum líder isolado, mas a própria consciência das massas, comandará esses movimentos.
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