Homens e mulheres de pelo menos três cidades foram às ruas na tarde do último sábado (1) para homenagear a bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, de 25 anos, assassinada no dia 26 de janeiro. A manifestação também pedia o fim da violência contra a mulher.

Os protestos aconteceram em Maringá, Curitiba e Londrina, conforme a FOLHA mostra na edição desta segunda (3).

O corpo da jovem foi encontrado por familiares próximo a uma cachoeira em Mandaguari, região de Maringá, com sinais de violência sexual. Ela foi estrangulada.

O pai da vítima, Maurício Borges, tirou da dor desse momento traumático a força para seguir em frente e disse que de agora em diante pretende trabalhar pelo fim da violência contra a mulher e pela defesa dos direitos delas.

Em entrevista à FOLHA, publicada na edição do último fim de semana, Borges resumiu a sua indignação e revolta em uma frase: “A nossa sociedade está doente! Isso precisa acabar. Até quando isso vai persistir?”

Mesmo diante do luto pela perda de Magó, como era chamada, familiares e amigos ainda tiveram que sair na defesa da bailarina respondendo àqueles que buscavam na cultura machista a velha e odiosa mania de culpar a própria vítima. O fato dela ter ido acampar sozinha em uma pousada acabou sendo usado, mesmo inconscientemente, por muita gente como justificativa para a violência. E a moça só procurava por momentos de paz e reflexão.

Apesar das mudanças na legislação visando a proteção à mulher, o Brasil não evoluiu muito nos últimos anos. Temos a Lei Maria da Penha e mais recentemente foi a provada a lei que torna o feminicídio uma qualificadora para o crime de homicídio contra a mulher. Mesmo assim estamos em um país inseguro para as mulheres.

No mundo inteiro, elas sofrem com assédio e outros tipos de violência nos lugares públicos. As meninas e mulheres estão vulneráveis, no transporte, nas ruas sem iluminação adequada ou em moradias precárias.

Até o fechamento deste editorial, a Polícia ainda não havia apontado o responsável, ou os responsáveis, pela morte de Magó. A esperança é que o assassino seja identificado o mais rápido possível e uma resposta seja dada à família, aos amigos e à sociedade.

Porém, a prisão do culpado não é a única coisa que a sociedade espera do poder público. O anseio é por escolas, universidades, instituições e empresas que não reproduzam a cultura machista. E por cidades que levem em conta a segurança da mulher que deseja ser livre e viver sem medo.

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