Pelo eterno direito de questionar
Nesta semana, a presidente eleita Dilma Roussef recebeu jornalistas para sua primeira entrevista coletiva depois de eleita. O encontro foi amistoso, mas, assim que os repórteres fizeram os primeiros questionamentos mais incisivos, a mulher que vai comandar o País de 2011 a 2014 deu sinais de irritação, recusando-se até a responder de forma satisfatória perguntas importantes, como a opinião que tem sobre um possível retorno da CPMF.
A postura de Dilma acende um sinal de alerta, deixando transparecer que ela também joga no grande time - isso sim assusta - daqueles que gostariam que a imprensa fosse apenas bajuladora.
A cada dia os veículos de comunicação, como esta FOLHA, que trabalham de maneira isenta (são poucos!), sem partidarismos, procurando somente exercer sua função social de informar, enfrentam maior resistência de fontes, oficiais ou não, na busca pela apuração de fatos.
Políticos gostam dos microfones quando é para falar bem de seus feitos e mal de adversários. Para responder o que não querem são ríspidos, grosseiros, agressivos. Desligam celulares, mandam secretárias falar que viajaram.
O pior é que o mesmo comportamento está se estendendo para outros setores. Policiais, representantes de entidades de classe, empresários. Até mesmo quem liga para as redações para uma simples denúncia de um depósito irregular de lixo ou coisa parecida implora para não ter a identidade revelada. Até parece que ainda vivemos em uma ditadura. A fuga da imprensa está se tornando maciça.
A notícia boa é que o bom jornalismo não dá sinais de abatimento com essa situação. Os veículos de comunicação sérios continuam investigando, denunciando, informando. Enfim, não se entregam às tentativas veladas de empurrar tudo para debaixo do tapete.
É inegável que o processo democrático evolui no Brasil. Contudo, ele nunca será pleno enquanto as pessoas - começando pela presidente - temerem a verdade.





