Pelo desenvolvimento endógeno de Londrina
No século XVIII os açorianos chegaram primeiro e se estabeleceram às margens do lago Guaíba (RS). Em seguida, já no século XIX, vieram os alemães e foram mais além, na região entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, ambas no interior gaúcho. Finalmente, já no fim do século XIX foi a vez dos italianos, para os quais sobrou apenas a pirambeira da região serrana. Pois, deste limão, os imigrantes gringos fizeram uma bela limonada. A região onde nem tudo podia ser plantado, foi paulatinamente sendo conduzida por uma dinâmica econômica industrializante, de sorte que hoje, a região polarizada por Caxias do Sul (RS) é uma grande expressão industrial, a única alvissareira no decrépito e minguado estado gaúcho.
Há outros exemplos, no estado de Santa Catarina, há cidades que dão gosto, atualmente as que mais crescem no Sul do Brasil, tanto economicamente como populacionalmente; geram empregos, renda e qualidade de vida: Joinville, Blumenau, Jaraguá do Sul e Chapecó, dentre outras.
Como estas regiões se desenvolveram e crescem exuberantemente? Industrializando-se de acordo com suas potencialidades e peculiaridades locais, mas industrializando-se de modo endógeno, não exógeno. Ou seja, criando indústrias próprias, não atraindo indústrias de outras regiões. Nestas cidades, empresas nasceram, cresceram e, à medida que cresceram, puxaram o crescimento e desenvolvimento regional.
Conquanto, nem todas as cidades precisam necessariamente de indústrias para crescer. Há diferentes realidades, uma cidade pode se tornar um polo industrial, porém também pode ser um polo comercial e de serviços, ou pode ser um polo turístico, por exemplo. O negócio é encontrar uma aptidão.
E Londrina? Qual o perfil da maior cidade do interior do Paraná e quarta do Sul do Brasil, atrás apenas de Curitiba, Porto Alegre e Joinville? Conforme dados do IBGE, cerca de 63% do Valor Adicionado Bruto (VAB) do município provém do setor terciário, resultado similar às outras grandes cidades do Estado, apanágio de uma capital regional.
O PIB de Londrina, entretanto, deixa a desejar, na medida em que quando confrontado com outras cidades do mesmo porte, fica nitidamente menor, o que se explica justamente pelo fato de a cidade não ser um polo industrial. Nesse sentido, Londrina, apanha feio de suas equivalentes em Santa Catarina e Rio Grande do Sul Joinville e Caxias do Sul respectivamente. Só para se ter uma ideia, o VAB industrial de Londrina é de aproximadamente 21%, enquanto que nas cidades comparativas fica em torno de 37%. São elementos que ajudam a explicar o porquê de Londrina ter perdido o fôlego de crescimento nos últimos anos.
Portanto, preconiza-se que Londrina promova uma maior industrialização. Potencial o município tem, e acima da média. Contudo, é válido um alerta: a industrialização deve ser feita de modo endógeno, isto é, a partir da iniciativa dos próprios londrinenses. Procurar trazer empresas de fora não vai promover o efetivo desenvolvimento da cidade, vai apenas criar alguns míseros empregos de salário mínimo. Ademais, as empresas de fora remeterão seus lucros para suas sedes.
Pesquisas apontam que a cidade é uma das melhores do interior do país para se empreender e fazer negócios. Vergonha na cara e água benta da testa serão capazes de virar o jogo. O crescimento que emana do próprio lugar, este sim trará desenvolvimento.
DOUGLAS PAZ é economista e mestre em Economia Regional em Londrina
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