Pelo afastamento dos suspeitos
A ordem política nacional está cada mais mais difícil de se manter. Grande parte dos políticos em cargos eletivos se vê envolvida em escândalos de recebimento de propina, financiamento ilícito em campanhas e outras coisas. A corrupção não é de agora, mas o que importa é que as atividades no Congresso Nacional, por exemplo, estão comprometidas. A chamada Operação Lava Jato chega agora a uma fase delicada, em que se divulga nomes de políticos a serem investigados.
Diante de tantos nomes, e outros que poderão surgir no processo, quem perde é novamente a sociedade. Além da dita e vista crise econômica, agora a crise política avança. A investigação atinge políticos de vários partidos. As campanhas milionárias que ocorrem nas eleições, em todos os níveis e com alianças as mais ecléticas, começam a se clarear diante das investigações de corrupção em conchavos entre o poder público e empresas privadas. Empreiteiras poderosas, obras milionárias e articulações complexas em licitações públicas demonstram a relação público-privado no Brasil. As parcerias público-privado (PPPs) poderiam ser um avanço na governança pública, mas parece ter servido muito mais à manutenção e reprodução do poder em mãos de poucos grupos privados e políticos. Enriquecimento ilícito às custas dos contribuintes, eleições pagas com dinheiro público. A antiética que nos enoja e fica mais perversa quando o "arrocho" só serve para o andar de baixo, para citar o sociólogo Betinho.
A situação não é boa e, infelizmente, pode piorar.
As empresas ora investigadas que têm relação com a Petrobras também são as que "ganharam" o direito de fazer as obras da Copa do Mundo ocorrida no ano passado. Irregularidades já foram apontadas em várias das obras, muitas delas inclusive sequer saíram do papel. É preciso investigar quanto de dinheiro público, de fato, foi dedicado às obras do evento. Mas parece que isso será um caminho natural que a Operação Lava à Jato vai desembocar.
Prefeitos e governadores de partidos diferentes juntos com o governo federal, fizeram o possível para facilitar os empreendimentos da Copa. Aprovaram leis para facilitar a vida das empreiteiras e até mudaram as leis de licitação pública, garantindo as obras exigidas pela Fifa e beneficiando empresas e empresários. Confiamos no Ministério Público, no entanto, devemos ficar de olho nas artimanhas dos políticos, pois quando estão envolvidos diferentes partidos eles têm uma enorme capacidade de união em torno de sua defesa e de seus privilégios.
Para salvaguardar o interesse coletivo da sociedade, os políticos investigados como suspeitos deveriam se licenciar de seus cargos (sem remuneração é claro). Os suplentes deveriam ser convocados e as atividades no Congresso não seriam prejudicadas. Continuar exercendo o mandato diante de graves acusações de corrupção não é razoável. Inclusive permite a possibilidade de atrapalhar as investigações. O exercício no Poder Legislativo e a influência política podem, de alguma forma, mudar os rumos da investigação. Apesar de serem "apenas" suspeitos, os políticos da lista poderiam dar essa demonstração de grandeza em prol do coletivo e se afastarem de suas funções. O momento é de crise econômica e política, no entanto, não poderemos suportar uma crise social. Que após isso tudo a ética sobreviva.
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