Pela vontade da maioria representativa
Pela vontade da maioria representativa da população e que decidiu também em nome dos não-votantes, o Partido dos Trabalhadores reelege Nedson Micheleti prefeito de Londrina. Roberto Richa (PSDB) elege-se prefeito de Curitiba. Em Ponta Grossa o vencedor foi Pedro Wosgrau (PSDB), que derrotou o PT de Péricles Holleben de Mello. Em Maringá, Sílvio Barros (PP) filho do ex-prefeito Silvio Barros vence João Ivo Calefi (PT), vice-prefeito que vinha respondendo pela Prefeitura desde a morte recente do titular. O jovem político Beto Richa, um londrinense que traz na bagagem também a herança do prestígio do pai, José Richa, vai administrar a vida dos curitibanos, na esfera municipal, e desponta como uma liderança emergente no Paraná. Em Maringá, também Silvio Barros, que venceu por larga margem, haure das vantagens do nome que rememora o pai, figura destacada na galeria dos administradores do município. Em Londrina, com a vantagem de 16.826 votos, Micheleti continua no cargo por mais quatro anos. Embora Belinati tenha superado Nedson no primeiro turno, não pôde alcançar a maioria dos votos que migraram dos outros seis disputantes da primeira rodada. Os processos judiciais que o envolvem, por denúncias de corrupção, foram certamente decisivos para a sua derrota, porque insistentemente mencionados pelos adversários, no decorrer da campanha em ambos os turnos, e lembrados também por dever de ofício pelos veículos de comunicação. Era com Belinati que Nedson desejava disputar e com nenhum outro, porque contava com o argumento dos processos contra o concorrente. Certo é que, face à possibilidade de turbulências futuras, foi melhor para a paz do município o break na nova investida de Antonio Belinati rumo ao poder, quando ainda não se concluiram as mais de três dezenas de processo que tramitam na Justiça contra ele. Belinati na Prefeitura seria a cidade assistir ao prefeito deslocando-se do gabinete até o Fórum, para depor um trajeto que ele faria a pé, porque a distância é de apenas 40 metros. Nedson reeleito, tranquiliza, por ora, a cidade, mas apenas quanto ao momento eleitoral. A partir de janeiro, quando administrará sob novo orçamento, terá de mudar sua política e rever programas de governo, deixando para trás a metodologia dos quatro anos já passados e que não foram tão pródigos em realizações. O prefeito reeleito certamente terá de mudar a equipe, porque será mais cobrado, e espera-se que aproveite os ventos favoráveis que sopram do Palácio Iguaçu, pois o governador Requião o apoiou, e do Palácio do Planalto, onde o presidente Lula está assentado e ele é do PT, o partido de Nedson. A situação é, pois, estrategicamente favorável ao prefeito de Londrina, sendo-lhe possível, pelo reforço do prestígio ora obtido nas urnas, valer-se dessa força para aglutinar as lideranças da cidade e os parlamentares eleitos pelo município, para obter benefícios que Londrina e sua região metropolitana merecem. Com as contas saneadas, segundo afirmação de campanha do próprio prefeito, o argumento de dívidas já não prevalecerá no novo mandato, e, com todo esse arsenal de apoio em disponibilidade, tudo acena muito promissor para a nova gestão do prefeito Nedson Micheleti.





