Embora os discursos e as promessas dos candidatos sejam sempre os mesmos, a campanha política abandonou o antigo estilo dos grandes comícios, que atraíam público não propriamente pela presença dos políticos mas pelos shows artísticos que animavam o espetáculo. A escassez de dinheiro diminuiu os gastos, e os candidatos passaram a valer-se do mínimo possível e de métodos como o corpo a corpo e as minirreuniões, porém especialmente a mídia eletrônica, que disponibiliza os horários gratuitos. No caso de Londrina, se a metodologia da campanha modificou-se como de resto em todo o Brasil, pelo mesmo encurtamento de verbas não houve renovação de candidatos para a disputa à Prefeitura. Dos sete concorrentes, apenas um não é conhecido da vida pública, significando que a cidade, outrora tão presente em sua representatividade política, não veio produzindo nomes novos. No universo das associações classistas, seus comandantes cuidaram mais especificamente dos pleitos de sua área, diferente do passado, quando essas lideranças geravam grandes movimentos reivindicatórios também em outros campos e cujos resultados positivos estão presentes hoje em muitos pontos e consolidados na infra-estrutura de Londrina. A origem desses benefícios, as novas gerações desconhecem e ignoraram que são, no mais dos casos, produtos de lutas contínuas em que se engajavam intensamente todas as forças vivas da comunidade. Atuantes políticos mobilizavam líderes emergentes, e lideranças fortes já existentes, no seio das entidades de classes, davam incentivo à militância política, uma coisa puxando a outra. Dessa dinâmica resultaram nomes londrinenses expressivos no cenário político-governamental, do Estado e do País. Eram homens que discursavam mas também realizavam, e a amostragem revelava-se pelas conquistas que a cidade vinha obtendo e que hoje conferem a Londrina a infra-estrutura de que dispõe. Naturalmente que arrojados empreendedores da área privada deram a tônica desenvolvimentista desta hoje metrópole e pólo regional, mas a presença dos administradores públicos foi sempre significativa, por facilitar o acesso de novos empreendimentos até onde lhes competia. O que Londrina espera do prefeito e da Câmara de Vereadores que irão assumir a 1º de janeiro é que retomem práticas do passado já um pouco longínquo e redespertem o espírito político e reivindicante da cidade, cuja chama foi intensa ou muito do que hoje está aí implantado não existiria ou eventualmente estaria em outras cidades.

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