A afirmação que dá título a este editorial é da especialista em geografia humana Yoshyia Nakagawara, para quem falta articulação da sociedade para as questões que têm a ver com o desenvolvimento do Norte do Paraná, região que se consagrou especialmente no passado por seu pioneirismo e dinamismo. Professora de Geografia e de Desenvolvimento Urbano da Universidade Estadual de Londrina, ela falou a este Jornal e diz que de palavras, discursos e letras todos estão cheios. Afirma que há carência de projetos, mas que para reverter isto será necessária a participação popular, das universidades e das associações classistas.
Com efeito, conforme sua opinião, não se pode deixar tudo a cargo dos governos. Declarando-se descrente deles, essa destacada educadora e estudiosa das questões regionais ressalta um conceito antigo de que Londrina deveria conduzir toda a região, mas que a cidade está ausente. Se há fundamento em suas palavras, quase no mesmo momento de suas declarações - e com sugestões como as apontadas por ela - instalava-se em Londrina um círculo de diálogo visando a melhoria das condições de vida para todos. A visão desse grupo não se circunscreve à região mas abrange o Estado, e é também universal. Com a bandeira de que ''os paranaenses podem'', o projeto foi desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná e visa, além de mapear as principais iniciativas, definir lideranças que vão iniciar os trabalhos em rede.
Os caminhos são realmente os apontados, porque já se constatou, à exaustão, o imobilismo governamental, em todas as suas instâncias. E marcadamente no Governo atual, pródigo em discursos mas pobre em realizações e mudanças, até pela pouca competência gerencial e com o agravo de repetidas histórias de corrupção. Será necessário que a classe empresarial e as lideranças no geral se valham do poder que têm e se mobilizem, porque se isto ainda não ocorre na intensidade desejável, ao menos os anseios são comuns e nisso há unanimidade. O presidente daquela Federação, Rodrigo Rocha Loures - que esteve em Londrina para esse encontro - declara que a cidade tem o poder de irradiação e que exemplos desta metrópole regional tendem a ser copiados e repetidos.
É a partir das bases que as transformações se produzem, e já passa da hora de a população mover-se, de modo a também mover os governantes e as representações políticas. Porque, se os governos não sabem gerar o entusiasmo da nação - mas ao contrário, a tem levado à descrença, à indignação e à depressão - há que reverter esse enfoque e acuá-los e encurralá-los, exigindo moralidade, posicionamentos sobre obras e reformas e impedindo que imponham mais obrigações ao povo por via do arbítrio. Organizadamente, mas com destemor, o povo unido fará balançar os alicerces da República.

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