Pela transparência real
Há a transparência hipotética, essa a que se referem os políticos quando dizem abrir suas contas. A Assembleia Legislativa, mesmo assediada pelas denúncias do Ministério Público, por várias vezes empenhou a palavra de seus dirigentes, seja no Portal ou ainda na relação nominal dos servidores, e tudo ficou pela metade.
Com a passagem do governo Roberto Requião-Orlando Pessuti ao de Beto Richa a sociedade paranaense merece, em nome da consolidação do processo democrático, o mais amplo conhecimento da realidade estadual. Se nas observações dos grupos de transição houve tanto desencontro quanto à situação financeira (falou-se num furo de R$ 1,5 bilhão) pode-se imaginar o conflito que haveria se a análise fosse mais abrangente.
Embora o estilo conciliatório do novo governador - o que ficou evidente no convite ao ex-líder de Requião, deputado Luiz Cláudio Romanelli, para compor o seu secretariado - é indispensável que se saiba das dimensões exatas da herança deixada nesses oito anos de gestão e seu respectivo impacto na economia e sociedade paranaenses. Uma vantagem de saída o novo governo terá a de contar com a integração da prefeitura da Capital, fato que beneficiou Lerner em suas gestões. Ainda ontem tivemos um pouco dessa harmonia no ato inaugurar do Terminal do Cabral, feito em convênio, tratamento que pode ser dispensado em áreas cruciais como a da segurança pública, um dos maiores senão o maior desafio da futura administração.
Saber a realidade da situação vivida pelo governo é uma imposição profunda e necessária da democracia, no que ela tem de mais exigente, até porque tornará evidenciada se há ou não a viabilidade das propostas da campanha eleitoral e como se fará o cronograma adequado para alcançá-las. Esse acompanhamento é indispensável para que tenhamos no governo o sentido de participação, aquele mesmo que marcou a passagem da ação democrática de José Richa.





