Pela transparência das tarifas
Título publicado nesta FOLHA dia 31 de julho de 2009: ''Tarifa sobe para R$ 2,10 no próximo domingo''. Manchete do jornal de ontem: ''Transporte fica mais caro em Londrina''. Mal se acostumavam com o novo valor da passagem de ônibus, os usuários já vão ter de gastar mais para exercer um dos direitos básicos: o de ir e vir. Foram apenas cinco meses entre um aumento e outro, muito pouco tempo. Agora a taxa será de R$ 2,25.
E não é só isso, as corridas de táxi e da tarifa de embarque e desembarque cobrada no Terminal Rodoviário de Londrina também foram reajustadas.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Lindomar Mota dos Santos, os reajustes significam uma ''reconstituição dos valores'' baseada em levantamento detalhado dos índices dos últimos meses. Segundo ele, a decisão foi tomada de forma ''segura'' e ''tranquila''.
Na outra ponta a medida chegará com tanta tranquilidade?
O novo valor do ônibus vai fazer estragos em bolsos de todas as esferas da sociedade. É o pai que precisa 'financiar' a ida do filho para a escola, a dona de casa que paga a passagem para a empregada doméstica ou a diarista, o empresário obrigado a oferecer vale-transporte aos funcionários etc. De uma forma ou de outra, toda a cadeia da economia sofre o impacto.
Causa espanto também a época em que o reajuste é feito - em pleno período de férias escolares, quando muitos estudantes estão desmobilizados, alguns em suas cidades natais, visitando familiares - e a forma - uma entrevista coletiva, convocada de forma lacônica. Seria essa uma forma de evitar protestos como os ocorridos no passado?
E mais uma vez, o londrinense pagará o preço de influências político-eleitorais em um item básico. O reajuste os 12,15% de aumento acumulado nos últimos cinco meses é reflexo também de anos da falta de recomposição dos valores da planilha do sistema. De janeiro de 2006 a agosto de 2009, o serviço ficou com a tarifa congelada em R$ 2, sem sequer a reposição da inflação. A grande pergunta é: por que deixar os percentuais acumularem onerando de uma só vez o trabalhador e pai de família que depende do transporte público justamente em um período que pululam as contas e impostos a pagar? Por que esse tipo de reajuste é feito usualmente em inícios de mandato?
Os reajustes das tarifas públicas devem ser tratadas de maneira técnica e transparente e, se possível, com o mínimo de interferência política, que já mostrou ser desastrosa.





