Pela sobrevivência do Museu de Arte de Londrina
A falta de recursos e de vontade política é um fantasma que ronda as instituições no Brasil e com os museus não é diferente. Muitos, dotados de acervos riquíssimos, se encontram fechados por conta das dificuldades. Reportagem publicada neste fim de semana na FOLHA relata a história de luta pela sobrevivência do MAL (Museu de Arte de Londrina), que completa 25 anos neste sábado (12).
Projetado pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi em 1948, o prédio histórico da antiga rodoviária de Londrina passou por uma grande reforma no final dos anos 1980 e mais tarde por várias adaptações para virar museu e ter as condições necessárias para receber obras de arte.
A partir da mobilização de um grupo de pessoas da cidade foi criada a Samalon (Sociedade Amigos do Museu de Arte de Londrina), que conseguiu a doação das primeiras peças do acervo e também os recursos para a adaptação do prédio. Apesar de todo o esforço inicial, não houve continuidade de manutenção e hoje o museu apresenta problemas de climatização, iluminação e mobiliário. A preocupação é que as más condições do espaço já colocam em risco o acervo do MAL.
Há dois anos, uma nova entidade a Amart (Associação de Amigos do Museu de Arte de Londrina) foi criada para ajudar a resgatar o museu, com o desafio de ser o elo entre a iniciativa privada e o poder público. O grupo é composto por 12 voluntários, entre eles vários professores da Universidade Estadual de Londrina.
Em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de Cultura, Caio Cesaro, diz que existe um projeto de restauração do museu, mas por enquanto não é possível executá-lo devido à dificuldade para obter linhas de financiamento.
Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao MinC (Ministério da Cultura), o País tem mapeados cerca de 3,8 mil museus. As dificuldades enfrentadas por estas instituições são semelhantes. Junto com a falta de recursos, a capacitação do corpo técnico e a formação e manutenção adequadas do acervo são desafios.
Graças ao envolvimento da sociedade, muitos desses locais ainda conseguem se manter no País. É preciso que o poder público abrace mais esta causa, preocupando-se, inclusive, com a formação de público um outro problema a ser enfrentado. No caso do MAL, os esforços também devem ser no sentido de preservar o prédio histórico, tombado em 1974 pela Curadoria do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.





