Pela retomada do respeito à lei
A falta de cumprimento das ordens judiciais - manchete deste jornal no último domingo - coloca em risco não só a credibilidade das instituições democráticas, como expõe as famílias a todas as formas de insegurança. Pior, até, que o clima de medo que vive-se atualmente.
Um esforço para a retomada da obediência à lei deve envolver todos os setores da sociedade, mas o mais interessado no assunto tem que ser o próprio Judiciário, que não pode sujeitar-se ao descaso. O poder da Justiça é o poder da lei e a ninguém é permitido vilipendiar sua execução.
Não é demais insistir no assunto, afinal é o direito de cada cidadão que está em jogo. Numa época em que fala-se tanto em cidadania, os poderes constituídos dão péssimo exemplo. A recusa em relação a uma decisão da Justiça é acintosa afronta à lei e às garantias individuais.
Que o governo federal, o Senado e o governo do Paraná não insistam em proliferar exemplos de descumprimento. Cabe perguntar: quem não cumpre uma ordem judicial emanada de um juiz será capaz de respeitar dispositivos constitucionais, resoluções, leis complementares e outros instrumentos legais?
Exemplos são as disposições constantes dos Códigos de Postura, Trânsito, Consumidor e tantas outras regras, que levaram anos para serem aperfeiçoadas. Será que terão a mesma força relativa num contexto de desobediência à Côrte? Que poder de execução se pode conferir a esses dispositivos?
Não é difícil imaginar. Um País sem regras. Já não chega a virulência da corrupção, do jeitinho, da lei da vantagem, etc.
Um juiz local considerou extremamente grave o descumprimento de ações judiciais. O que se espera do agente público (autoridades do governo federal e estadual) é o cumprimento do dever legal. Se existe uma obrigação legal para que o agente cumpra determinado ato, ele não pode se furtar a isso.
O juiz defende que esse agente têm que ser responsabilizado por esse descumprimento e suas consequências.
Assim, como está (a Polícia não pode sair do Quartel nem para retirar estudantes que ocupam alojamento de forma ilegal; nem retirar camelôs de um espaço público) as instituições são fragilizadas e a população insegura.





