São fundadas as declarações do presidente Lula, em Roma, de que a crise mundial do momento é uma boa oportunidade para reflexão acerca de tudo o que se fez de errado, e que a razão da economia deve ser não a especulação mas o ser humano. E, por extensão, que a economia contemple a produção, a ciência e a tecnologia. Esta postura, se também sustenta um bom discurso, é sábia e fundamenta todas as coisas no universo dos negócios e balisa os caminhos do desenvolvimento.
  No Brasil, o desencontro de idéias de seus principais agentes econômicos e financeiros não segue propriamente essa diretriz. Em especial o caso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que têm pontos discordantes sobre rumos a seguir. Com acerto, o ministro visa estimular o consumo, que move o comércio e as fábricas, dinamizando os negócios e por continuidade gerando mais arrecadação tributária.
  Nesse diapasão, os chineses resolveram criar um pacote fiscal de 586 bilhões de dólares para financiar investimentos e aumentar o consumo. E aqui entre nós, o comércio revolveu baixar preços e, neste momento, promove uma campanha de vendas e de liquidação para gerar dinheiro. Medida inteligente que, no caso dos preços baixos, deveria ser constante. Fazendo coro com o que disse Lula na Itália perante o presidente Giorgio Napolitano, também os presidentes de bancos centrais e ministros de finanças europeus – reunidos em São Paulo no encontro do Grupo dos 20 – defenderam a idéia de uma refundação do sistema capitalista. Chegou-se a falar de punição aos paraísos fiscais, incentivadores dos desvios de dinheiro e da especulação. Um nova ordem econômica mundial é necessária, como apregoou o presidente brasileiro, também defendendo que os países em desenvolvimento sejam mais ouvidos nos fóruns transnacionais.
  No encontro de ontem com o chefe de governo Sílvio Berlusconi, também a questão econômico-financeira mundial foi abordada com prioridade. O megaempresário e influente político italiano apóia a ampliação do G-8 (o grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) e defende que façam parte dele também Brasil, México, China e Índia. Ao menos sob esse aspecto de o Brasil se tornar mais presente e lembrado, as viagens do presidente Lula são importantes.
  Grandes crises também se prestam para grandes soluções, porque veio se criando o consenso, nestes dois meses e meio de abalo, de que será necessário supervisionar os bancos e as instituições financeiras em geral, eles que foram os geradores da atual crise.

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