Se uma empresa apela para a demissão de funcionários, está consciente dos males sociais que virão como consequência, e também perde muito de sua autoridade para queixar-se dos atentados ao patrimônio e à violência generalizada. É certo que as classes produtoras no geral são tangidas por pesados impostos, por dinheiro caro se necessitar do crédito bancário, e por leis leoninas como a trabalhista mas em tempo de dificuldade nacional e de desemprego se reclamará sempre um sacrifício extra de todos os segmentos empregadores e da sociedade, no sentido de preservar as vagas de trabalho. Em maio, neste espaço, falou-se do procedimento da Volkswagen do Paraná (sediada em São José dos Pinhais) ao demitir duas centenas de trabalhadores, e agora anuncia-se o possível afastamento de outros 900. A decisão insere-se num denominado ''plano de reestruturação-fase 2'', visando mais produtividade, e por conta disto serão desestruturadas no mínimo 3.000 pessoas que compõem as famílias desses operários. Como se disse na ocasião, a produtividade poderá melhorar e também o desempenho empresarial e a lucratividade, mas a miséria social aumentará. Se há dificuldades na empresa que alega operar com prejuízo no Brasil inicia-se uma crise para numeroso contingente de pessoas (trabalhadores e dependentes), porque para estes escasseiam as alternativas e eles não têm como reestruturar-se, tratando-se da atual realidade brasileira. Por isso o apelo ao esforço conjunto, para não piorar as coisas, porque, se com emprego o trabalhador e a família apenas sobrevivem, sem renda é o caos. Há toda uma sobrecarga social daí decorrente e representada pelo salário-desemprego e outros ônus que caminham paralelos, e não se afasta a possibilidade de casos de delinquência, porque se a fome bate à porta, um pai de família entra em desespero. Quando uma empresa estrangeira se instala no país é cercada de muitos privilégios e garantias, mas nenhum freio lhe é imposto se ela decide demitir. A salvaguarda do emprego deveria constar na parte que se ocupa dos incentivos. Concede-se muito mas não se reclama contra-partidas. Se a empresa de fora traz benefícios e não pode ser descartada, é também favorecida e aufere lucros. Conforme declaração feita no mês passado pelo coordenador da comissão operária de fábrica, Gilson Batista, a unidade paranaense ''é produtiva e enxuta'', então as demissões não são de extrema necessidade. (Ontem leu-se a informação de que o Legislativo nacional está voltando sua atenção para o caso da Volkswagen e programou audiência pública para a questão, com a convocação de todas as partes envolvidas). Se é preciso o sistema governamental dar amparo às empresas que são geradoras de riqueza, de empregos e de impostos (estes muito abusivos), serão necessários também sacrifícios redobrados das classes empresariais e da sociedade no sentido de conservar o mais possível os empregos. Ou esta nação já tão sacrificada andará em círculo e não sairá do lugar.

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