Cristovam Buarque passará o cargo ao governador eleito Joaquim Roriz, daqui a dois dias - 1º de janeiro, sexta-feira - como um dos dez melhores governadores do País. Derrotado nas urnas de 25 de outubro, Cristovam perdeu a eleição, mas não o apoio popular.
Pesquisa do Instituto Soma, divulgada em novembro, um mês depois das eleições, dá a Cristovam Buarque uma compensação merecida - 76% de popularidade, a mais alta obtida em quatro anos de governo.
Anteontem, novos números, nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo - coloca Cristovam Buarque em quarto lugar entre os governadores mais populares da atual safra. Diz o Datafolha: 58% dos brasileiros aprovam o governo de Cristovam Buarque, com 20% de rejeição. O Índice parece contraditório para quem perdeu a eleição, mas, certamente, é reconfortante para quem levou a sério a missão de oferecer ao brasiliense mais carente o direito à cidadania.
Na pesquisa do Datafolha, Cristovam está atrás do campeão Tasso Jereissati (72% de aprovação popular). Tasso manteve a primeira colocação obtida em junho deste ano. Em segundo lugar, vem o baiano Cesar Borges e, em terceiro, o governador reeleito do Paraná, Jaime Lerner.
Em quinto lugar, atrás de Cristovam, está o derrotado Eduardo Azeredo, de Minas Gerais. Outros que fracassaram nas eleições também perderam espaço na pesquisa. Antonio Britto é um deles - caiu de quarto para sétimo lugar. Marcello Alencar, que passará a faixa a Anthony Garotinho, desceu de sexto para oitavo lugar.
Cristovam Buarque subiu na preferência popular. Em junho, quando ainda não havia começado a campanha eleitoral, pesquisa idêntica realizada pelo Datafolha colocou o governador de Brasília em sétimo lugar, com rejeição ainda maior.
Há explicações técnicas e sociológicas para tudo isso. Cristovam Buarque ganhou em popularidade, índices revelados pelo Soma e pelo Datafolha, porque fez um bom governo. Passa o posto com o reconhecimento da população. E não vale mais a pena perguntar: ‘‘Então por que Cristovam perdeu a eleição?’’ A resposta foi dada nas urnas e deve ser respeitada acima de qualquer ideologia ou simpatias pessoais.
A maioria dos eleitores considera bons ou muito bons os programas como Bolsa-Escola ou Saúde em Casa, mas não quis arriscar uma nova administração petista. Ou preferiu votar em quem colocou no discurso mais esperanças em dias melhores.
Cristovam Buarque faz, com razão, um balanço positivo de seu governo. Foram muitos acertos, significativos avanços. Muitos erros, certamente, mas nada que tire o brilho da festa democrática do dia 1º de janeiro. Cristovam Buarque deixará o palácio do Buriti pela porta da frente, embalado pelo apreço de boa parte da população de Brasília.
Joaquim Roriz assumirá o governo respaldado pelos votos de milhares de brasilienses que apostaram num futuro melhor ao seu lado. E estimulado pela esperança de quem não o escolheu. A pesquisa do Instituto Soma mostrou a expectativa positiva é de 66% da população - pelo menos 20% a mais que seu eleitorado.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília

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