Pela participação da sociedade
A salvação nacional que se deseja só ocorrerá pela participação decidida da sociedade. Ao iniciar campanha de mobilização popular nesse sentido a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) prefere o slogan de que se ''a esquerda não resolve, a sociedade vai resolver'', mas uma jornada cívica dessa envergadura não deve se ater a ideologias, porque interessa a toda a população que tem as mais diferentes linhas de pensamento. Se a igreja demonstrar alinhamento partidário - como parece indisfarçável - a iniciativa não terá a adesão total da sociedade. Já passou da hora de os brasileiros se mobilizarem diante dos descalabros que acontecem na esfera governamental, do imobilismo e corrupção do Governo e da ausência de projetos de desenvolvimento. A nação precisa ser despertada para a sua responsabilidade diante do quadro que se apresenta, porque ninguém mais acredita que algo vá mudar a partir de decisões de Brasília. Um dos rumos apontados será lutar pela reforma política, de modo a abreviá-la para vigorar já na eleição do ano que vem. Não poderá, naturalmente, haver ruptura do processo democrático porque experiência de regimes ditatoriais a nação já conheceu, e não deseja que se repitam mas o clima chegou a um ponto de exaustão. No momento realiza-se na capital da República a assembléia popular denominada ''Mutirão para um Novo Brasil'', reunindo representantes de 40 movimentos e que se esboça como o embrião desta que, se espera, seja a arrancada para o engajamento das massas nessa luta. Pelas vozes desses ativistas, os corruptos devem ser mandados para a cadeia e o dinheiro (dos roubos) devolvido, mas esta não é propriamente a meta da campanha, nem visa o impeachment do presidente Lula, e sim a focalização em pleitos mais amplos, como as grandes reformas. Duas são citadas, inicialmente: a agrária e a política, mas o brado nacional é por mudanças também no sistema tributário, na política dos juros, na legislação trabalhista e pela implantação de uma nova ordem econômica que abandone o monetarismo e dê preferência ao desenvolvimento que leva em seu bojo as soluções para o desemprego e para a onda de delinquência. E no momento em que ideais salvacionistas se reacendem em esfera nacional, no Paraná representações da sociedade consciente reuniram 230 mil assinaturas no movimento denominado ''Da Indignação à Ação'', e pedem o fim da impunidade, diante de tanta corrupção, e também a reforma do sistema político-eleitoral. O documento com essas assinaturas foi entregue ontem ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Veloso. No caso da reforma eleitoral, o movimento defende que a Constituição seja emendada, no capítulo pertinente, para entrada em vigor já em 2006, quando serão eleitos o presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais e parte do Senado. Se os governos não resolvem, a sociedade haverá de resolver!





