Pela mobilização popular contra a corrupção
Todos os movimentos populares para fiscalização dos gastos públicos e combate à corrupção são louváveis, e precisam ser robustecidos pela participação do maior número possível de cidadãos. Se os resultados não são imediatos - porque o problema é antigo e arraigado - não deve haver desânimo, porque é pela persistência que se alcançará conquistas nesse campo. O caminho é este, porque os políticos e os administradores e servidores públicos corrompidos - hoje uma epidemia nacional - não ficarão melhores por espontânea decisão.
Há, portanto, que apoiar movimentos como este agora lançado - a Caravana Todos Contra a Corrupção - liderado pelo Instituto de Fiscalização e Controle e contando com profissionais de auditoria do setor público, integrantes de instituições como o Tribunal de Contas da União, a Caixa Econômica Federal, o Sistema Único de Saúde e a Controladoria Geral da União. Todos estão convencidos de que só a participação popular na fiscalização dos gastos governamentais - como eles agora fazem - pode conter a corrupção. A iniciativa foi inspirada na experiência da ONG Amigos Associados de Ribeirão Bonito (SP) que, ao organizar moradores da cidade, conseguiu afastar do cargo o prefeito corrupto.
O grupo que compõe a Caravana, além de promover audiências públicas, visita os prefeitos e vereadores das cidades para onde vão, fazendo pontes entre os líderes comunitários e órgãos que podem dar continuidade a ações - depois das informações reunidas pelos cidadãos - como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas.
Esses voluntários mobilizam os cidadãos e lhes dão motivação, fazendo-os acreditar que têm força e assim voltem a valorizar a própria dignidade que, às vezes, parece esvair-se pela descrença e a sensação de impotência. Esse grupo já realizou 32 incursões e gera exclamações como a de um dirigente de ONG paulista, que diz que a Caravana lhes deu força, e que uma coisa é lutar sozinho e outra é com a ajuda de auditores, como esses.
Paralelamente foi lançada ontem em São Paulo uma campanha nacional contra a corrupção visando as eleições municipais do ano que vem. Foi na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, acionando todas as seccionais da OAB nas capitais. Participam a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Central Única dos Trabalhadores, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Federação Nacional dos Jornalistas e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e Voto Consciente. A meta é a formação política em defesa do livre exercício do voto, por meio de material didático e participação direta.
Os maiores inimigos do povo, hoje, estão nos redutos governamentais, e só pela mobilização popular - com o apoio de instituições fortes como as mencionadas - é que se conseguirá, progressivamente, reverter o processo e sanear a administração pública.





