Pela melhoria dos políticos e do meio social
Se os crimes de corrupção política não são mesmo punidos, parece utopia esperar que a sanidade do meio ocorra por essa via. Melhor é poupar iras cívicas, que só tiram a saúde dos cidadãos - enquanto a maioria dos homens públicos se diverte e desdenha - e repensar a melhoria da qualidade dos partidos e dos postulantes a cargos eletivos. Eliminando-se as causas elimina-se as consequências. Este é um processo de prazo longo, que implica também em melhoria da sociedade, de onde emanam os candidatos. O ano de 2006 se encerra com punições a quase zero, consagrando a bandidagem que vicejou soberana nos círculos do poder. Mesmo os que ficaram a salvo de tentações carregam o pecado da baixa operância no desempenho de suas funções legislativas e executivas e o pecado idêntico da concordância em usufruir da gastança exorbitante e de polpudos ganhos. O presente de fim de ano que os políticos e governantes oferecem aos cidadãos sérios deste país é este retrato cinzento de corrupção e impunidade. Esperar que a classe política e governamental dê uma salto de qualidade do dia para a noite é um sonho que não se concretizará tão cedo, e será ingenuidade acreditar que algo aconteça de diferente na próxima legislatura e nos mandatos executivos que se iniciarão a 1º de janeiro. É triste fazer este prognóstico mas o que irá ocorrer serão apenas variações do mesmo tema. Porque a mudança de personagens não foi grande, a legislação não se alterou e as estruturas são as mesmas. Propósitos de criação de cursos de formação política e gestão pública já se esboçam, como o caso de um projeto da Universidade Federal do Paraná, mas este será apenas um passo - um largo passo se no futuro todas as candidaturas venham a depender de diploma - porém o processo passa também pela reestruturação partidária e pela melhoria do padrão de qualidade do eleitorado. Enquanto grande parcela dos eleitores ainda vota em troca de benefício assistencial e outros favores e reelege sistematicamente corruptos populistas, os tempos de bem-aventurança na vida pública brasileira ainda demorarão. Essa caminhada deverá ter como ponto de partida a família, a escola e a igreja, que são os fortes pilares da formação do indivíduo. Isto significa que a sociedade tem também de melhorar-se e assim produzir governantes melhores, empresários melhores e profissionais melhores. Foi por esse caminho que nações hoje altamente civilizadas alcançaram patamares excepcionais de desenvolvimento humano e de politização.





