O fato de o candidato ser alfabetizado não o qualifica, apenas por isso, a uma função eletiva, mas é um primeiro passo para se chegar à meta de a legislação eleitoral só autorizar a disputa de eleição para quem possua formação política, obtida em escola superior. Por lei, o analfabeto é inelegível, mas esse controle não tem sido tão rigoroso. Ontem leu-se neste jornal que a 1 Zona Eleitoral, de Curitiba, será exigente quanto a isso, nesta eleição, embora os candidatos já tenham sido aprovados pelos partidos e seus nomes divulgados. Nada mais necessário que esse rigor, embora o processo eleitoral deva aperfeiçoar-se até o ponto de o postulante ter qualificação reconhecida, não só quanto ao conhecimento das leis e das obrigações exigidas pelo cargo que pretende, mas também quanto à sua idoneidade moral.
A legislação também não deveria permitir que candidatos com ações na Justiça, por denúncia de corrupção, tenham homologada a inscrição para concorrer. Um simples indício de culpa já deveria ser razão suficiente para a negação de candidatura, até prova em contrário. Será melhor sanear antes, que arcar com os prejuízos decorrentes de uma eventual cassação de mandato, posteriormente. Num país que já experimentou o 'impeachment' do presidente da República, todo zelo será pouco.
Certamente que, melhor do que um candidato alfabetizado ou não, será o que tenha espírito público, comprovada capacidade, elevado grau de patriotismo e honradez, e tanto melhor se tiver formação em temas regimentais e de cidadania, de forma a não pecar por desconhecimento uma vez no exercício de função na administração pública.
Dos profissionais liberais se exige formação acadêmica, e de qualquer serviçal pede-se no mínimo conhecimento do ofício. Mas nada se exige de quem vai administrar a máquina pública e o dinheiro do povo. Um contra-senso. O resultado disso é o que se tem assistido: muita incapacidade gerencial de parte da maioria dos administradores públicos, desinformação acerca de procedimentos legais e por falta de um rigorosa seleção prévia já na filiação partidária muitos vícios de origem e as atávicas tendências para a corrupção.
A política saneadora do sistema deveria começar por uma redução drástica do número de partidos e pela consequente higienização de seu próprio organismo. Os partidos não deveriam aceitar filiados (e eventuais candidatos) apenas pela popularidade de que desfrutem, mas pelo seu nível, de forma a constituir corporações partidárias rigorosamente seletivas e, por isso, fortes e merecedoras do respeito público.

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