A pobreza extrema de ampla camada da população e a falta de perspectivas de solução eficaz para esse problema deixam a vida humana exposta a situações de grave precariedade - declara Dom Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, na oportunidade em que a Igreja Católica lança a sua Campanha da Fraternidade de 2008, com o lema da defesa da vida. Por isso, ressalta que a promoção da dignidade requer a participação solidária de todos. A par da pregação dos dogmas seculares da Igreja Romana, seu segmento brasileiro, especialmente, ocupa-se bastante dos problemas temporais e assume posição política nesse campo. Esta é uma marca forte de sua história nesta nação de maioria católica.
Dom Odilo, que fala pela maior arquidiocese brasileira, ao defender a vida aponta para a trágica estatística de 1 milhão de mortes violentas acontecidas no Brasil nas últimas três décadas. E fala também dos abortos provocados, que são uma afronta à vida e contra os quais a Igreja Católica tem se posicionado, optando pela sublimação da vida, marcadamente nos tempos recentes. ''Antes da criação do mundo, antes da existência uterina, Deus quis nossa existência. A vida humana é dom e missão, maravilha e compromisso'', diz o arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes. A Campanha da Fraternidade é um movimento estribado no ideal que o nome encerra e capitaneado pelos bispos brasileiros.
Pontos fundamentais em favor do bom viver são não apenas a boa condição alimentar da população, o acesso ao pleno atendimento de saúde, à educação, à segurança e a dignidade da moradia e do trabalho, mas também o respeito individual que deve ser dado a cada pessoa; a escolha pela vida é a proteção do planeta, pela contenção dos desmatamentos e da poluição do ar e do aquecimento da atmosfera, cujas consequências futuras já acionaram todos os alarmas.
O cardeal-arcebispo diz com razão que proteger e promover a vida humana - sobretudo a vida frágil dos excluídos - é tarefa primordial do Estado. Trata-se, portanto, de uma ação política. Mas a valorização e a exaltação da existência terrena devem ocorrer também pela manifestação da solidariedade e pelo entendimento de cada um de que a população do mundo compõe uma comunidade de co-irmãos, habitantes da mesma morada e, portanto, iguais inquilinos nesse imenso condomínio.
Assim, todo o bem que se disseminar beneficiará a comunidade mundial inteira, da mesma forma que a deterioração desse ponto planetário, habitado por seis bilhões e meio de seres humanos, afetará a todos. Cada um individualmente é a comunidade em que vive, cada um é a pátria, cada um é a humanidade.

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