O Paraná tem 102 mil quilômetros de estradas rurais municipais, das quais apenas sete mil quilômetros são pavimentados, segundo dados do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Em Londrina, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA), dos cerca de 800 quilômetros de estradas que cortam a área rural, só os dez quilômetros entre São Luiz e Comunidade de Ouro Fino, a chamada Estrada da Educação, são asfaltados, por integrar um projeto do governo do Estado.
O secretário municipal da Agricultura, Nilson Ladeia Carvalho, reconhece que a situação das estradas rurais é crítica. Mas diante da extensão do problema, afirma que o município está tomando medidas paliativas, como o cascalhamento de alguns trechos para permitir o escoamento da safra. ‘‘Por enquanto estamos na fase do quebra-galho, mas até o final de 2004, quando termina esta gestão, esperamos ter contribuído para que o município tenha pelo menos 70% das estradas readequadas’’, antecipa.
Carvalho diz que durante reuniões, os produtores rurais dizem que o maior problema deles é a falta de boas estradas para movimentar a produção. ‘‘Ou seja, quando a questão maior deveria estar ligada à venda e ao preço do produto, eles estão preocupados com um problema de infra-estrutura. Mas, com certeza, no início de 2004, eles não terão mais esse problema, pois a maioria das estradas estará readequada e a manutenção será feita normalmente’’, garante.
De acordo com o secretário, o município ficou quatro anos sem que houvesse readequação de parte de suas estradas. E entre 1999 e 2000 nem mesmo o serviço de manutenção foi realizado. ‘‘Mas estamos retomando os projetos e pretendemos chegar até o final do ano com mais 100 quilômetros readequados’’, diz Carvalho. A readequação implica na ‘‘quebra’’ dos barrancos, levantamento do leito da estrada, para deixá-la mais alta que a propriedade agrícola. Além disso, a cada 100 metros, no máximo, é feito uma espécie de lombada, que serve para conter a água da chuva e desviá-la para as curvas de nível das lavouras. Segundo ele, cada quilômetro moledado custa R$ 8 mil, mas dura pelo menos oito anos. Até o final da administração, a Secretaria da Agricultura pretende ter readequado 300 quilômetros de estradas rurais.
Mesmo reconhecendo o direito do agricultor reclamar por melhores condições de tráfego, devido ao início da colheita da safra de verão, o secretário diz que neste começo de ano foram registrados mais de 300 milímetros de chuva, o que equivale a mais de 300 metros cúbicos de água por metro quadrado de terra. ‘‘É um agravante para a situação’’, afirma.
O secretário da Agricultura informa que, considerando o volume da produção agrícola do município – perto de 85 mil toneladas de soja e de 120 mil toneladas de milho – são necessários 15 mil caminhões rodando pelas estradas rurais de Londrina para transportar a safra. Diz ainda que a matéria-prima agrícola contruibui com 6% na formação do PIB do município, estimado em R$ 2,58 bilhões. O agronegócio, porém, participa com mais de 40%.

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