Pedra de tropeço
A governadora do Maranhão e pré-candidata do PFL à presidência da República, Roseana Sarney, tornou-se a pedra de tropeço do PSDB na corrida sucessória. Uma pesquisa encomendada pelo pefelê mostra que, em São Paulo, seu nome continua crescendo enquanto o de Lula, líder até agora em todas as consultas, começa a declinar. Segundo o instituto GPP, o petista mantém a dianteira, porém caindo de 27,6% das intenções de voto para 24,6%, enquanto Roseana cresce de 17% para 22,7%. Neste mesmo levantamento, o ministro da Saúde, José Serra, também cresce, saltando de 11,1% para 13,5%.
A incógnita é saber se de fato o PFL caminha com a candidatura própria até as últimas consequências ou joga duro apenas para, no futuro, negociar cacifado uma nova aliança política. O histórico pefelista o rotula como um partido com faro e gosto pelo poder. Herdeiro natural da Arena e PDS, que sempre foram os alicerces do regime militar, foi concebido às pressas para dar sustentação ao último dos presidentes eleito pelo colégio eleitoral, Tancredo Neves. Por uma fatalidade, José Sarney pai da governadora em questão acabou assumindo e exercendo todo o mandato e, apesar de oficialmente filiado ao PMDB, sua história e seus vínculos estavam fortemente arraigados com os antigos arenistas, pedessistas e agora pefelistas.
Nas hostes tucanas, o debate se estende às dúvidas quanto ao crescimento ou não da candidatura José Serra. Aliás, o trunfo de Roseana é exclusivamente este: seu nome cresce nas pesquisas enquanto o do ministro da Saúde permanece inalterado ou com oscilações pouco alentadoras. Na verdade, até o momento o que assistimos é uma campanha calcada em dados estatísticos, onde os números se alternam à medida que os pretendentes são expostos à mídia. O ministro José Serra, apesar de ocupar largos espaços nos meios de comunicação no dia-a-dia da vida nacional, ainda não teve seu nome referenciado oficialmente como candidato.
Por questões de estratégia, Serra ainda não adota uma postura de candidato e tenta negociar uma aliança que garanta exatamente este crescimento. Dentre todos os candidatos, sem dúvida é o melhor preparado intelectualmente, com uma bagagem acadêmica e técnica infinitamente superior à governadora. Além do que a estrutura partidária do PSDB hoje não é a mesma de 94, quando o então candidato Fernando Henrique necessitava do apoio do PFL e PMDB como condição sine-qua-non para vencer a batalha da primeira eleição. A partir do instante que o bloco tucano for posto na rua a candidatura Serra certamente tenderá a crescer. A pergunta que fica no ar: mas cresce o suficiente para, sozinho ou em parceria apenas com o PMDB, chegar ao segundo turno?
Pois é exatamente aí, no segundo turno, que tudo será decidido. Os governistas acreditam naquilo que as pesquisas têm demonstrado até o momento: Lula, hoje, já estaria com o passaporte carimbado para a próxima fase. Porém estas mesmas sondagens apontam que, aí, o candidato petista corre o sério risco de ser derrotado, uma vez que os índices de rejeição ao seu nome são elevados. O temor ainda é maior quando se sabe que a divisão das forças situacionistas pode levar, inclusive, ambos os candidatos da base aliada a derrota, afinal, a campanha ainda não começou e muita água deve rolar por baixo da ponte. Em contrapartida, uma candidatura única sairia extremamente fortalecida.
Na dúvida hameletiana do ser ou não ser, o papel a ser desempenhado pelo presidente Fernando Henrique será fundamental e decisivo. O que o PFL quer é, se desistir da empreitada, fazê-la em consignação às suas exigências e tendo o próprio presidente da República como, no mínimo, testemunha. O presidente por sua vez será o grande condutor de sua própria sucessão, afinal, como homem de partido e cidadão, estará engajado na campanha do candidato oficial. Apesar dos brados do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, que a candidatura Roseana é pra valer, os mais céticos já enxergam o futuro alicerçado na tríplice aliança PSDB-PMDB-PFL. Com Serra na cabeça.
RENÉ RUSCHEL é jornalista e economista em Curitiba.





