A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deixou ainda mais sob alerta os consumidores, quanto à veracidade do que diz a rotulagem dos produtos alimentícios, ao apreender em Curitiba trigo para quibe com propaganda de não conter glute (no latim glúten), mas continha. Sabendo-se que um supermercado disponibiliza nas gôndolas mais de 20 mil tipos de produtos alimentares, vê-se que o leque é amplo - e tais estabelecimentos não são sabedores do conteúdo de tais mercadorias, a não ser quando a Vigilância Sanitária autua.
O glute é uma substância proteica que constitui a parte interna das sementes de cereais, especialmente do trigo, onde se acha intimamente ligada com o amido, o açúcar, a mucilagem e a albumina. Ocorre que a ingestão do glute por quem tem doença celíaca (que se instala na cavidade abdominal) pode trazer complicação séria, como câncer do intestino, anemia, osteoporose, aborto, esterilidade e epilepsia. A absurda alegação da empresa denunciada é que a inscrição do rótulo foi uma falha da gráfica. A afirmação da Vigilância é que todo trigo tem glute, mas ocorre que muitos produtos à base desse cereal ostentam o indicativo de que não o têm. Se para o comum dos consumidores essa substância não faz mal, o faz para os portadores do denominado celíaco, que atinge 1 em cada 200 brasileiros. É uma deficiência do sistema imunológico, que se agrava com o consumo do glute.
Esse crime caracteriza propaganda enganosa e assume gravidade ainda maior quando tem a ver com a saúde pública. A vigilância tem de ser contínua, sobre todos os produtos, com pesadas punições aos infratores. A fiscalização não pode ser condescendente. No caso citado, a notícia é de que a questão teria sido levantada por um consumidor, e os fiscais agiram.
Assim é que e a clientela deve proceder, levando a exame dos órgãos fiscalizadores tudo o que consomem ou utilizam. E não só quando a embalagem diz não haver algo prejudicial mas também quando afirma ter algum bom atributo. A divulgação de uma irregularidade resulta em retirada do produto do mercado e, pela imagem negativa que gera, obriga o fabricante a proceder corretamente.
Qualquer cidadão é apto para uma solicitação de exame do que compra, e nesse caso é preciso acreditar nas providências da fiscalização. Existem as empresas conscientes e também as que não têm escrúpulos e burlam a lei. O consumidor é um poderoso agente para que haja rigor na sanidade dos alimentos.

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