Pedir desculpa sem anunciar nada novo
Apenas pedir desculpas ao povo pelos escândalos perpetrados pelo seu partido, e pedir de novo a confiança dos cidadãos brasileiros, é nada mais que uma atitude estratégica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porque tal demonstração de assumir culpa e de aparente humildade não veio seguida de um anúncio sobre o que ele irá fazer a partir de hoje, de forma a reverter essa corrente negativa que envolve seu Governo e gerou o desencanto e a desesperança da nação inteira. Mas Lula, se visa comover a população com mais um discurso, já não convence, porque o que todos desejam agora é saber o que o Presidente tem em mente, de modo a fazer o que ainda não fez em seu Governo e dar uma guinada por via de alguma medida heróica, de grande impacto, que viesse a reacender o ânimo dos cidadãos, especialmente os que o consagraram com 52 milhões de votos. Pedir desculpas por algum ato falho é uma postura de estadistas, mas quando há por trás deles uma trajetória de grandes realizações e sobretudo admiração popular. Lula não tem essa bagagem, como governante, e ao amanhecer do dia de hoje continuará fazendo o que fez ou seja, fazendo novos discursos, com vistas a explicar o inexplicável, e, muito mais provável, ir pavimentando o caminho para a reeleição. Mas Lula, se nada de extraordinário irá fazer no curto tempo que lhe resta de mandato, é porque não tem mesmo nenhum projeto nesse sentido e não dispõe de ninguém em seu círculo com competência para fazê-lo, nem assessorá-lo, e sugestões de fora parece que não o sensibilizam. Então, o pedido de desculpas é como nada, algo como da criança travessa que faz o mesmo com a mãe mas logo a seguir repete a sua arte. E pedir que o povo tenha esperança soa sem consistência, porque todos devem perguntar-se: confiança em que, se o Presidente não dá um aceno? A confiança que os brasileiros têm é em si próprios, pela competência de tocar o Brasil-cidadão mesmo com a existência de um Governo tão alheio, tão inoperante e tão enfraquecido politicamente. Se Lula, como todos afirmam e deve ser verdadeiro é bem intencionado, espera-se que o demonstre por via de ações, mas grandes ações, capazes aí sim de reanimar esperanças e mover o povo numa cruzada de salvação nacional. Só discursos não resolvem. Imaginemos a hipótese de, hoje, Lula demitir metade do funcionalismo burocrático e reduzir também pela metade os gastos do Governo. Esta seria uma ação corajosa, decisiva, que restabeleceria a sua credibilidade e que daria validade ao ato de pedir desculpas e de solicitar mais esperança do povo. Mas sabe-se que algo assim, ou ainda mais grandioso, ele não fará. O povo já se cansou de palavras e de apenas palavras.





