Curitiba - ''Uma luz no fim o túnel''. Foi assim que Clarisse Muxfeldt Gularte, mãe do paranaense Rodrigo Gularte, 32 anos, condenado em primeira instância por tráfico de drogas na Indonésia, recebeu a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai interceder em favor do instrutor de vôo Marco Archer Cardoso Moreira, 42, condenado à morte em última instância por tráfico internacional de cocaína. Se o pedido for acatado, a execução por fuzilamento será atenuada para pena de prisão perpétua.
Clarisse mora em Curitiba e acompanha com sofrimento o caso dos dois brasileiros condenados à morte naquele país. ''Quando saiu a notícia da condenação em última instância do outro rapaz (Archer) ficamos muito angustiados, aflitos e preocupados com os familiares dele'', comentou.
A mãe de Rodrigo luta para tentar salvar a vida do filho com as armas que pode. Há um mês a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) entregou ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um dossiê sobre Rodrigo. ''Mas até agora não tivemos nenhuma manifestação'', lamentou.
Na próxima semana, ela pretende fazer chegar ao presidente Lula uma carta pedindo para que ele também interceda em favor de seu filho. O objetivo de todo o esforço é ver aprovado um acordo de transferência de presos entre Brasil e Indonésia, assim o paranaense poderia cumprir sua pena no Brasil.
Em agosto do ano passado, Clarisse passou 21 dias na Indonésia. A intenção era voltar em abril, mas a viagem acabou se tornando muito cara. Ela tem mais dois filhos que moram no Paraná. Clarisse conta que desde que o rapaz foi preso e condenado à morte, a vida da família mudou muito. ''Como mãe é um sofrimento muito grande'', desabafou.
O Itamaraty não tem registro de outros brasileiros condenados à morte ou que tenham sido executados judicialmente no exterior. A lei de entorpecentes da Indonésia, com pena máxima de fuzilamento para tráfico internacional, entrou em vigor em 2000. Desde então pelo menos 31 pessoas foram condenadas à morte. No ano passado, dois tailandeses foram executados, apesar dos pedidos de clemência.
O pedido de clemência não resulta em indulto ou perdão. Precisa ser formulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhado ao presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, em até dois meses após a oficialização da condenação em última instância.(Com Agência Estado)

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