Pediatra preso por atentado ao pudor agora alega distúrbios
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Marta Medeiros Equipe da Folha 
Maringá - O juiz da 1ª Vara Criminal do Fórum de Maringá, Joaquim Pereira Alves, determinou ontem a remoção do médico Silas de Mello Bruder, 51 anos, para o Sanatório Maringá. Acusado de rapto, atentado violento ao pudor e atos obscenos, Bruder ocupava uma cela na sede da 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP). O pediatra foi interrogado ontem pelo juiz e negou os crimes. Disse apenas que sofre de distúrbios psicológicos e usa anti-depressivos.
O pedido de remoção, com alegações de problemas mentais, foi feito pelo advogado de defesa Israel Batista de Moura. Conforme a determinação do juiz, o pediatra vai ficar sob a custódia do hospital e sem policiamento. A cada 15 dias, a direção do sanatório terá que encaminhar um parecer médico para a Justiça.
Bruder foi preso no final do mês passado, quando estava no carro com duas meninas, uma de 11 e outra de 12 anos de idade. Elas contaram que o pediatra iria pagar por um programa de sexo oral e masturbação. A polícia chegou até o pediatra depois da denúncia da mãe de um adolescente excepcional de 16 anos. O médico teria por diversas vezes pago o adolescente para a prática de sexo.
No inquérito concluído pela polícia e entregue ao Ministério Público estão os depoimentos de 17 pessoas, vítimas de abusos sexuais praticados pelo médico. Nove são de crianças e adolescentes do bairro Santa Felicidade, três de ex-pacientes e outros cinco incluídos por vítimas de tentativa de abuso sexual. Conforme a denúncia, Bruder costumava ir sempre ao bairro pobre da periferia de Maringá.
Bruder é pastor, pertence a uma família tradicional da cidade e até o ano passado era chefe da 15ª Regional de Saúde de Maringá. Um delegado da 9ª SDP, que pediu para não ser identificado, disse que a remoção do pediatra é um absurdo. Antes de ser preso, ele (Bruder) exercia normalmente suas atividades e agora que foi pego em flagrante decidiu se declarar doente, afirmou o delegado. Bruder estava em uma cela da 9ª SDP junto com o médico Décio Basso, condenado pelo sequestro da filha de um outro médico de Maringá.


