Este Jornal já denunciou em inúmeras ocasiões o ''negócio da China'' que foi, para as concessionárias, a privatização das rodovias paranaenses, pelas vantagens extraordinárias que lhes foram concedidas. Quando da implantação do pedágio, o Governo estadual optou por ''vender'' as estradas a quem pagasse mais. Postura contrária ao interesse dos usuários, que seria o de quem oferecesse o menor preço por maior volume de obras. Os interessados, como não poderia deixar de ser, até por serem do ramo entenda-se as empreiteiras de obras não pouparam esforços em busca de recursos, através de empréstimos, para abocanhar esse quinhão que era oferecido de bandeja. O Governo não teve a menor preocupação com o ônus que iria pesar sobre o usuário. Seu único interesse era arrecadar o máximo possível. A irresponsabilidade com que foi praticada a privatização das rodovias entregou os usuários à sanha arrecadadora das concessionárias, no mais dos casos conhecidas por práticas de superfaturamento e concorrências pré-marcadas aquelas cujos vencedores já se sabe de antemão quem serão. Além disso, pela prática de renovação de contratos por aditivos suspeitos. O atual Governo declara haver realizado uma auditoria nas empresas concessionárias do pedágio, mas praticamente nada esclareceu sobre a aplicação dos recursos em obras. Porque, salvo uma ou outra denúncia de desvios, nada anunciou de concreto a respeito de tal investigação. A operação-pedágio não oferece o menor risco às concessionárias. Em qualquer negócio sempre está implícita a possibilidade de maior ou menor sucesso ou seja, de perder, de não ganhar nada, de lucrar um pouco ou de lucrar muito. Com o pedágio é diferente: não há possibilidade de a operadora perder. Pois só gasta pequena parcela do que arrecada e não tem limite de ganho. Em sua auditoria o Governo não conseguiu detectar o quanto ganham essas beneficiárias do serviço. Oito anos já são transcorridos desde que o pedágio foi implantado no Paraná (cerca de 6 anos nas duas administrações de Jaime Lerner, o implantador do malfadado pedágio, e 2 anos e meio do Governo Requião), e esse fantástico negócio (fantástico para as empresas beneficiadas) continua nebuloso. Só se sabe quanto o usuário tem de pagar, que são tarifas exorbitantes e que a cada ano aumentam disparatadamente, até porque o Governo concedente assinou isto. Obras de expressão ainda não aconteceram. Nem um safisfatório serviço de manutenção. Um exemplo é o trecho da Rodovia do Café que vai de Mauá às proximidades de Ponta Grossa, um dos mais perigosos, até pela acidentalidade do terreno. Porque 14 quilômetros de duplicação de pista não significam nada em 8 anos de arrecadação e num percurso de 500 quilômetros (compreendido na concessão), que se estende até o porto de Paranaguá. A concessão desse negócio é um dos mais vergonhosos privilégios que um governo já concedeu e um dos mais prejudiciais aos paranaenses, que além de todos os encargos que já pagam pelo uso do veículo automotor ainda foram tangidos por mais este. E a concessão não é por pouco tempo, mas por longos 24 anos!

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