Quem tem mais de 30 anos pode se lembrar das fotos e vídeos do ex-governador Jaime Lerner, na década de 1990, desenhando em um papel a proposta do que iria se consolidar como o Anel de Integração, um projeto que visava o desenvolvimento econômico por meio da concessão de rodovias à iniciativa privada. Quase três décadas depois, chegou a hora de redesenhar o projeto que deu origem ao que podemos chamar de “pedágio da discórdia”. Em todo esse tempo pouca coisa causou tanta indignação ao paranaense quanto o valor das tarifas cobradas, a demora em melhorias de grande impacto como as duplicações de rodovias e o uso do pedágio para fins eleitoreiros.

O antigo traçado em forma de trapézio feito pelo ex-governador deve sofrer alterações importantes e existe o estudo de incluir cerca de mil quilômetros de rodovias estaduais nos lotes que serão concedidos a partir de 2021. Na última terça (26), os governos federal e do Paraná iniciaram a primeira etapa do novo programa de concessão de rodovias federais e estaduais no Estado com o secretário nacional de transportes, Marcelo da Costa Vieira, e o secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, apresentando a modelagem para o contrato.

Conforme sinalizado em agosto, serão licitados 4,1 mil quilômetros até 2021, ano em que o atual acordo termina. Além das estradas que englobam o Anel de Integração, serão incluídos os trechos paranaenses das BRs 163, 153 e 476. A gestão Ratinho Junior também tem o desejo de ampliar a capacidade das PRs 092 (Norte Pioneiro), 280 (Sudoeste) e 323 (Noroeste).

Os estudos ainda estão em andamento. A União assinou com o Executivo estadual um "memorando de entendimento" e cada um formou um grupo de trabalho. O Paraná está propondo formar o maior lote de concessões do Brasil, segundo Sandro Alex, com “uma modelagem híbrida, com menores tarifas, não só maior valor de outorga, que garanta valores corretos, justos aos usuários e investimentos importantes".

Infelizmente, o pedágio paranaense virou caso de polícia, com operações que se desdobraram da Lava Jato e apontaram esquemas de corrupção envolvendo concessionárias e agentes públicos. A atual administração fala em “não repetir os erros do passado”, postura que a população agradece. Mas o cidadão paranaense espera mais: tarifas justas e com valores corretos e estradas de qualidade. Um pedágio com duplicação de estradas que reduzam o custo do transporte e ajudem o setor produtivo a se livrar definitivamente do famigerado Custo Brasil.

Obrigado por acompanhar a FOLHA!

mockup