Li na Folha de Londrina de 24 de abril passado que representantes dos caminhoneiros defendem a cobrança do pedágio. Recentemente, o programa ''Fantástico'', da Rede Globo, mostrou um pouco mais da terrível realidade que esta classe de trabalhadores vem enfrentando em seu dia-a-dia para sustento de suas famílias. As estradas brasileiras estão piores que a de países recém-bombardeados como o Iraque, por exemplo.
Neste propósito é maravilhoso utilizar-se das principais estradas do Estado do Paraná refiro-me às pedagiadas. Não há como negar o grau de qualidade e segurança em que se apresentam hoje. Aos poucos vai-se entendendo o valor deste serviço e o quanto às manifestações e os discursos têm a ver com manobras políticas de ocasião.
Caminhoneiros começam a demonstrar adesão e concordância. Não sei quantos sabem mas o pedágio trouxe para vários municípios do Estado aumento na arrecadação do ISS em altíssimos percentuais. Se pararmos para analisar a redução nas perdas durante o transporte de grãos em função da melhoria da pavimentação, este é outro fator enormemente lucartivo. A geração de mão-de-obra direta devida aos postos de serviço do pedágio já ultrapassa duas mil vagas e outras dez mil em trabalhos indiretos como manutenção e outras obras. Esta mão-de-obra pertence toda ela aos municípios onde passam as estradas, o que representa outro ganho.
Eu me pergunto: por que o governo não faz um trabalho de conscientização a esse respeito? Todos sabem que o governo sozinho não tem condições de realizar ação compatível, no entanto, se utiliza disso para fazer discursos.
A mão-de-obra diretamente empregada no pedágio recebe treinamento, capacitação, preparo para o desempenho de sua atividade coisa que não existiria nos subempregos que normalmente se encontram e quando existem em pequenos municípios. Imaginem quanto, realmente, já se obteve em distribuição de tributos e, na sequência, na potencialização de obras quase impossíveis sem que tais recursos existissem?
Este raciocínio é o mínimo que se pode pensar para que se convença do quanto o pedágio não é apenas importante, mas, decisivo. Não estranho o gradativo esvaziamento dos discursos. Sei que a inteligência prevalecerá. Que se faça preço justo, sim. Que se estabeleçam prazos para a realização de obras contratadas, é claro que sim. Não há dúvidas de que o controle precisa existir a fim de se evitarem abusos. Mas retrocesso, devolução das estradas aos cuidados do governo, jamais.
ABRAHAM SHAPIRO é engenheiro e atua em consultoria empresarial em Londrina

mockup