Pedágio: que não haja dispersão - Walmor Macarini
Pedágio: que não haja dispersão
Se vai haver amanhã, em Londrina, a primeira reunião do Fórum dos Usuários das Rodovias, e se no próximo dia 18 realiza-se em Curitiba um seminário para discutir a mesma questão do pedágio, ambos em sintonia com idêntico propósito, é precipitado o encontro havido segunda-feira entre representantes dos transportadores, de setores da produção e secretários de Estado, para discutir os índices de reajuste.
Ao final da reunião, as lideranças das entidades presentes chegaram a declarar que preferiam manter em sigilo os índices sugeridos, sinal de que já estão fechando acordos com o governo.
Nessa reunião ficaram de fora lideranças de expressão engajadas desde a primeira hora nesta delicada questão do pedágio, entre elas o líder da bancada do PMDB na Assembléia, que está propondo uma CPI do Pedágio; a bancada estadual do PT, que propõe o cancelamento dos contratos; a Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná, a Sociedade Rural do Paraná, a Associação Comercial e Industrial de Londrina, a Organização e Sindicato das Cooperativas Agrícolas do Paraná, e outras entidades.
São válidas todas as vozes que se levantam, no sentido de exigir transparência nessa nebulosa questão da concessão de rodovias, mas não pode haver dispersão. Essa reunião com os secretários, já em nível de discussão de valores, atropela o processo. É preciso que haja unificação, que se aguarde o que resultar destas duas importantes reuniões a de Londrina e a de Curitiba.
Que não cometam, essas lideranças, o mesmo erro do governador ao selar acordos sem transparência. Se os líderes dos transportadores, reunidos com os secretários, preferiram manter em sigilo os índices sugeridos, com a desculpa de não prejudicar as negociações, começaram por ocultar da opinião pública o que está sendo discutido. Ademais adiantando-se, porque não são apenas as entidades presentes nessa reunião as interessadas. Elas não podem falar por todas, portanto não devem fazer negociações nem estipular índices. Imagine-se que o governo feche um acordo com elas e o Fórum de Londrina decida por outra proposta, e no Seminário de Curitiba surjam novas idéias! É preciso aguardar, para somar.
Foi um feliz momento das lideranças do Paraná unirem-se em torno dessa causa, provocando um despertamento de consciências, então não pode agora haver decisões isoladas.
Para essa reunião com os secretários não foram convidadas as concessionárias, mas se elas são parte fundamental no processo deveriam estar presentes. Tudo deve ser transparente nessa discussão.
Se os contratos não são conhecidos nem dos deputados, é chegada a hora de trazê-los à mesa, publicá-los nos jornais, identificando quem são os sócios das empresas concessionárias, até para sabermos se há acionistas que pertençam aos quadros do governo.
Se faltou transparência governamental, na época, se os denominados representantes do povo não se interessaram em conhecer a realidade desse affair que se operava, se a opinião pública desinteressou-se, até por não saber o que vinha pela frente, que ajam certo, agora, as lideranças que abraçam a causa.
Todos chegamos um pouco tarde, porque os contratos já estão assinados e agora há que se discutir em cima de uma questão de direito e de legalidade, mas nada há que não se possa refazer, porque se algo não agrada aos cidadãos então é algo que não serve. As próprias concessionárias não se sentirão seguras se o cerco começar a fechar-se em torno delas.
Nada está definido, nem na Justiça, e há ainda grandes debates por se realizar. A consciência das massas ainda nem se manifestou.
Porque não é apenas a questão do valor das tarifas que está em jogo, mas também o cronograma de obras. A parte que toca aos usuários, que é pagar, nós conhecemos. Resta saber agora a contrapartida das concessionárias. Elas, que foram rápidas em publicar a nova tabela, até por questão de decurso de prazo, devem também publicar suas intenções no que respeita ao programa de obras. Porque os usuários também têm um decurso de prazo... Que nos digam as concessionárias o que pretendem fazer com tarifas de 50%, ou de 85%, ou de 116%, com uma bem detalhada relação de prazos, tudo muito bem explicadinho, nos mínimos detalhes, porque elas foram bem detalhistas, até nos centavinhos, ao publicar a nova tabela de tarifas, tão clara que até as crianças entenderam. Elas que, daqui a 22 anos, ainda estarão pagando esse pedágio.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





