Pedágio: o que a sociedade precisa saber
Heinz Georg Herwig
O Paraná vive seu melhor momento. Os investimentos ultrapassam os R$ 15 bilhões e o Estado, com um PIB de R$ 51 bilhões, deverá crescer dois pontos percentuais acima da média nacional. Estamos, portanto, experimentando uma grande revolução pela qual, embora mantenhamos nosso perfil agrícola, passamos também para uma economia industrial. Basta lembrar que a agricultura é responsável por 13,5% do PIB e somente a Cidade Industrial de Curitiba já responde por 15% do PIB.
Os investimentos não param. Além da região metropolitana de Curitiba, onde estão se instalando as montadoras, cidades como Londrina, Ponta Grossa, Pato Branco, Jaguariaíva, entre outras, estão recebendo indústrias de pequeno, médio e grande portes.
Esse crescimento, em cuja esteira vem a geração de empregos, têm como principal responsável o governador Jaime Lerner, cuja visão estratégica de futuro desperta a atenção dos investidores nacionais e estrangeiros. A grande alavanca para a atração de novas indústrias no Paraná é sem dúvida o Anel de Integração, por onde passa mais de 60 por cento da produção paranaense de grãos.
O Paraná já é, hoje, o terceiro Estado em infra-estrutura e as obras que envolvem o corredor rodoviário se caracterizam como importante alavanca para o desenvolvimento e crescimento. Essa conquista poderia não ser comemorada pelos paranaenses não fossem as obras de melhoria das estradas federais que cortam o Estado. O Programa de Concessão de Rodovias foi a única saída encontrada pelo poder público para recuperar as rodovias.
O Anel de Integração acabou se transformando no maior canteiro de obras do país. As concessionárias estarão investindo, ao longo dos anos, mas de R$ 10 bilhões, o que representa, hoje, 20% do PIB paranaense. As obras iniciais de recuperação, sinalização e serviços de atendimento aos usuários já exigiram investimentos de R$ 300 milhões e geraram 10 mil empregos diretos e indiretos. Os recursos serão investidos nas próprias rodovias e em duplicações, como é o caso da rodovia Cascavel-Foz do Iguaçu e Ponta Grossa-Apucarana.
Nesses dias que antecedem a cobrança da tarifa de uso das rodovias, temos observado algumas correntes contrárias a essa grande transformação. O que é preciso explicar para a população paranaense é que se não fossem realizadas essas obras de melhorias nas estradas, certamente estaríamos convivendo com o alto índice de acidentes. Chegam a morrer, em média, 120 pessoas por mês nas estradas paranaenses.
Será que essas pessoas, contrárias a esse programa, não enxergam isso? Será que não vêem que o Paraná está se transformando? Que o Paraná está crescendo, gerando divisas, empregos e melhorando a qualidade de vida das pessoas? Com que dinheiro iríamos melhorar as nossas rodovias e contribuir para diminuir os acidente e as mortes? Com dinheiro da saúde, da educação, do saneamento básico, da segurança? Seria justo isto?
É claro que não. Então, que não se finjam de bobos, que não tentem enganar o povo. Haverá cobrança de pedágio, sim. Mas para trazer benefícios aos paranaenses. Aos caminhoneiros, aos motoristas e passageiros de ônibus e aos usuários como um todo. A cada mil metros teremos um sistema de comunicação. E só paga quem usa a rodovia. Teremos ambulâncias de primeiros socorros. Teremos carros guinchos e teremos uma polícia mais bem equipada, além de rodovias sem buracos e com acostamento. Teremos, sim, segurança. Teremos, sim, recursos para investir na questão social. Ou os paranaenses não querem isso?
- HEINZ GEORG HERWIG é secretário de Estado dos Transportes.

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