A nove meses do final do contrato das concessionárias de pedágio que operam no Paraná, 38 obras que deveriam ser entregues ainda não foram concluídas ou até mesmo iniciadas. Entre elas há contornos, duplicações, interseções, viadutos e passarelas.

Se 25 anos não foram suficientes para tirá-las do papel, fica difícil acreditar que em nove meses todas as melhorias acabarão entregues para os paranaenses.

Pelo contrato assinado em 1997 com as concessionárias, 2,5 mil quilômetros de estradas foram repassados à iniciativa privada que, em 25 anos, deveria duplicar 995,7 quilômetros. De lá para cá, alterações contratuais permitiram que algumas obras fossem suprimidas e outras, adiadas. Os 995 quilômetros de duplicação viraram 600 quilômetros.

Um exemplo é a duplicação da Rodovia do Café, trecho de 200 quilômetros entre Apucarana e Ponta Grossa, que ainda não aconteceu integralmente.

Novas licitações serão realizadas para selecionar as concessionárias que passarão a administrar as rodovias paranaenses. O modelo híbrido de contrato, apresentado pelo governo federal, não agradou parlamentares, prefeitos e representantes da sociedade organizada. A insatisfação ficou bem clara nas audiências públicas realizadas pela Frente Parlamentar sobre o Pedágio, da Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba e Cascavel.

A modelagem de leilão híbrido traz o critério de menor tarifa, seguido de maior outorga. Há um temor de que o novo modelo repita os mesmos problemas dos contratos que estão em vigor, representados por tarifas altas, reajustes sistemáticos e obras atrasadas.

"Vão aumentar em 33% número de quilômetros pedagiados e colocar 55% de praças a mais. Quando somar, o valor será o mesmo. Teremos mais praças perto uma da outra. Há uma onda de indignação santa em todo Paraná. Temos que impedir esse roubo legalizado," disse o deputado Luiz Claudio Romanelli, em entrevista recente à FOLHA.

Nesta quinta-feira (11), a audiência pública será em Londrina, na Sociedade Rural do Paraná. A elaboração do novo modelo de contrato do pedágio precisa ser discutida com cuidado e responsabilidade.

Os contratos fechados em 1997 foram marcados por erros que, aliados à prática de corrupção e à demagogia, terminaram causando a realidade que conhecemos hoje: tarifas altas e obras não realizadas.

Não faltam justificativas para o atraso e os preços praticados e os “problemas contratuais” são sempre citados pelas concessionárias. Mas o tempo está acabando e não é possível aceitar mais atrasos que afetam a logística e o desenvolvimento econômico e social do estado.

O Paraná pagou um preço alto pelo modelo de pedágio praticado nos últimos 25 anos. Não podemos repetir os mesmos erros.

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