Pedágio: o balanço que falta
Desde que o ex-governador Jaime Lerner implantou o pedágio, sete anos são transcorridos e até hoje nada foi informado ao público sobre o que, de expressão, foi construído pelas concessionárias. A não ser obras de conservação, passarelas de pedestres, alguns pontilhões, contornos e a implantação das praças arrecadadoras sem as quais não seria possível cobrar tudo é silêncio. Da Rodovia do Café só para citar a que liga norte e sul foram duplicados apenas 14 quilômetros. Nos dois anos finais do primeiro governo de Lerner, quando a cobrança começou a vigorar, e nos quatro do seu mandato seguinte, nenhuma informação foi dada ao povo sobre o mapa de obras das seis concessionárias do pedágio. O governo de Roberto Requião começou com uma luta para baratear o custo das tarifas e até eliminar essa sangria sobre os usuários, mas nada pode fazer ante a realidade dos contratos assinados. Sete longos anos já seriam mais que suficientes para os paranaenses saberem o que, afinal, as donas do pedágio executaram das obrigações contratuais, porque só têm noção de quantos milhões e ponha-se milhões nisso foram arrecadados por elas durante os 365 dias e 365 noites e madrugadas, de cada um dos sete anos de tão rendosa coleta, nos 2.035 quilômetros de rodovias pedagiadas do Paraná. Certamente a maior mina de ouro concedida pelo governo para ser explorada em campo limpo e pronto para encher as bateias, e deixar extasiado qualquer explorador! Sete anos se passaram e ainda faltam dezessete para exaurir todo o ouro existente nesse garimpo. Das concessionárias, não se espera que mostrem o que fizeram, já que foi tão pouco e isso conspiraria contra elas, mas o governo precisa mostrar ao povo um balanço deste primeiro ciclo de sete anos. A Assembléia Legislativa, que neste momento pela voz de um representante da oposição levanta questionamento sobre a razão do acordo de baixa da tarifa com uma das concessionárias, deveria também interessar-se por fazer chegar ao povo da qual é a representante esse balanço já mais que atrasado. A pergunta que todos fazem é por que o povo não é informado sobre o volume da receita anual de cada uma das seis praças de pedágio, o quanto foi investido em obras e serviços e o que, realmente, foi construído. Se os contratos são celebrados por empresas privadas e pelo poder público, o povo tem o direito de saber e nada deve ser secreto. A menos que haja pouco a mostrar e muito a esconder. O governador Roberto Requião, que não é simpatizante da instituição do pedágio, deve exigir das concessionárias essa prestação de contas e mostrar ao povo a verdade.





