Dezesseis anos depois da implantação das primeiras praças de pedágio no Paraná, o assunto ainda rende polêmica. Usuários de um lado reclamam do alto valor das tarifas e das poucas obras de melhorias nos cerca de 2 mil quilômetros de rodovias que fazem parte do Anel de Integração definido pelo governo do Estado. Do outro, as concessionárias afirmam que houve perdas nos contratos durante o governo de Roberto Requião (PMDB) e que estão efetivamente executando obras previstas.
Ainda há o envolvimento do governo estadual, que tenta renegociar o contrato; uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa; e o Ministério Público Estadual, que montou uma força-tarefa para avaliar os acordos firmados com as seis empresas. O objetivo é reunir informações sobre valores das tarifas, cumprimento do contrato, entre outros pontos. Relatório divulgado recentemente pelo Tribunal de Contas do Estado apontou que pelo menos duas concessionárias não cumpriram totalmente o contrato.
O maior problema dos pedágios no Paraná é que os termos dos contratos não são divulgados com clareza para a população. Não há transparência. Portanto, o que passa para os usuários é que a tarifa praticada é extremamente alta, ainda mais se forem comparadas com as cobradas no restante do País. Além disso, salvo poucas grandes obras realizadas, o que se vê basicamente é a "maquiagem" das rodovias, com recapeamento, pinturas de faixas e sinalização.
Por isso, é importante o trabalho que o Ministério Público iniciou com o propósito de realizar um "pente fino" nos contratos de concessão. O acordo assinado por concessionárias e Estado tem que ser cumprido integralmente até para garantir que nenhuma das partes seja lesada. No entanto, são necessárias fiscalizações frequentes para averiguar o cumprimento do contrato, a aplicação dos recursos e as obras realizadas. Talvez, o que esteja faltando é uma maior transparência em tudo isso.

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