Pedágio e bom senso do governador
A boa notícia, divulgada em destaque, ontem, pela Folha de Londrina, foi que o governador Roberto Requião desistiu de implantar seu pedágio-cobaia. A informação foi dada em Londrina por ele próprio, quando visitava a Exposição Agropecuária e Industrial. A divulgação do fato causou satisfação geral e evidenciou o bom senso de Requião, que havia idealizado o pedágio próprio como forma de demonstrar às concessionárias do serviço generosamente agraciadas pelo ex-governador Jaime Lerner que seria possível conservar estradas com apenas 18% da tarifa cobrada pela rede existente. Em fevereiro a Folha já havia alertado que o propósito do governador, embora bem intencionado, resultaria não em benefício para o usuário mas em aumento geral de 18% no custo/pedágio, porque era algo que acrescentava gasto ao motorista e não que diminuía. Em boa hora Requião recuou da idéia, afirmando agora que é possível recuperar todas as estradas sem necessidade de cobrar pedágio no caso o seu pedágio-modelo. Na verdade, é possível conservar sem pedágio todas as estradas, porque há recursos para esse fim, e não só para mantê-las mas para construir novas. A implantação do modelo brasileiro de pedágio foi um erro histórico (ou um conveniente acordo, nunca suficientemente explicado), que agora o Governo federal vai repetir, ao anunciar o ''pedagiamento'' de novos lotes, inclusive no Paraná. Porque incorre no mesmo equívoco de entregar às concessionárias rodovias prontas, portanto pertencentes ao povo e que não podem ser doadas a terceiros para que delas tirem proveito e impeçam os legítimos donos de trafegar por elas, a não ser que paguem. Como alguém que seja obrigado a pagar para entrar na própria residência. O governador anunciou que dispõe de R$ 800 milhões para obras de recuperação. Destes, segundo afirmou, já foram aplicados R$ 200 milhões, em 1,8 mil quilômetros de estradas não pedagiadas, e a meta é chegar a 4 mil quilômetros. O que Lerner não fez, preferindo lançar a conta no bolso do usuário, agora o Governo Requião está fazendo. E, por sensatez ou ''benção divina'' (expressão outrora proferida pelo atual governador, em outra circunstância), agora o chefe do Governo foi livrado de cometer o mesmo cometimento do seu antecessor. Com isso ganhou pontos e simpatia dos paranaenses, podendo assim, com mais autoridade, criticar o sistema vigorante de pedágio, que é o que de mais absurdo existe, pois não há no mundo modelo semelhante. A idéia anterior de Requião de implantar o seu pedágio-cobaia foi uma pedra de tropeço para ele, mas, em momento inspirado, ele próprio a retirou. Sua autoridade anti-pedágio foi restabelecida. Agora Requião pode de novo declarar que pedágio é roubo.





