Pecuária sadia e bons negócios, interesse de todos
Pergunta-se se interessa ou não à economia nacional o superávit da balança comercial, obtido principalmente pelas exportações de produtos da agricultura e da pecuária. A resposta é óbvia. Então, por que os governos desprezam tanto estes dois setores da cadeia produtiva? São eles que abastecem de alimento a mesa dos brasileiros, proporcionam empregos, alavancam o desenvolvimento, produzem receita tributária e ainda trazem dólares de exportação. O episódio do surto de febre aftosa põe às claras que, se o pecuarista é o principal responsável pelo cuidado com seu rebanho, o Governo vinha sonegando verbas orçamentárias que são destinadas ao combate da doença, e também não vinha policiando convenientemente a prática da regular e indispensável vacinação. Uma irresponsabilidade de parte a parte, mas muito maior do Governo, por imaginar que nada precisa fazer para a produção de carnes de qualidade, ganhar mercados internacionais e propiciar a ele próprio o ensejo de gabar-se dos superávits da balança comercial. Ao ouvir-se do ministro Luiz Furlan, principalmente, e do presidente Lula, os auto-louvores pelo triunfo dessa política vitoriosa de exportações, devem os brasileiros desinformados imaginar que há, aí, algum mérito governamental. Muito pouco. Foi o produtor rural quem buscou tecnologia, aumentando a produtividade do campo e melhorando a qualidade do produto. O mais como a conquista dos compradores externos veio como natural consequência. Do Governo, contou-se muito pouco com a parte que lhe cabia no cuidado com a sanidade animal. Uma delas, cobrar dos próprios pecuaristas o rigor nas vacinações, nas datas estipuladas; outra, policiar as fronteiras por onde, supostamente, esteja entrando gado contaminado, especialmente do Paraguai. Se o vizinho país não se preocupa com a qualidade sanitária de seu rebanho, o Brasil deveria ter ido vacinar também o gado paraguaio, dessa forma prevenindo riscos. Um investimento mínimo, considerando a importância do negócio exportador das carnes brasileiras. Se tem razão o presidente Lula ao declarar que é incumbência do pecuarista cuidar bem de seu gado, omitiu-se ao não admitir a negligência de sua gente com a questão, e de não cobrar-lhe essa falha. Foi o ministro Palocci (guardião do dinheiro do Tesouro) quem segurou verbas destinadas ao controle sanitário, mas é ele quem contabiliza os dólares amealhados pela venda de carne para o mundo. Então, interessa à nação brasileira que os negócios da agricultura e da pecuária sejam protegidos. Porque eles não beneficiam apenas os produtores mas sobretudo a economia nacional. Todo o protecionismo que venha a ser feito a esses setores (e tal não está acontecendo, antes o contrário) será sempre pouco. O presidente Lula e seu staff deveriam saber que, exercer governo, é também municiar de todos os instrumentos possíveis os segmentos da produção, de forma a que tenham êxito nos seus negócios. Porque quando esses negócios vão bem, se situará bem também o governo, e o povo o aplaudirá. Mas para isso o Governo precisará participar do processo, em todas as suas fases, sem descuidar-se um só momento. O retrocesso que ora ocorre, provocado pelo desleixo com a sanidade bovina, deve servir de lição aos governantes imprevidentes e de alerta aos pecuaristas.





