Pecuária paranaense vitoriosa
Hermas Brandão
Com o certificado obtido em Paris, na semana passada, declarando o Paraná território livre da febre aftosa com vacinação, abre-se uma nova era para nossa pecuária. Foram mais de vinte anos de luta para garantir a inserção no mercado mundial de carnes e derivados. Vinte anos em que o governo e a iniciativa privada se uniram no esforço para elevar as exportações e assegurar o desenvolvimento do setor.
Não foi uma caminhada fácil. Uma retrospectiva nos levaria ainda mais longe, quando Paulo Pimentel, ainda no primeiro governo Ney Braga, deu o primeiro grande passo para aperfeiçoar nosso rebanho. Com esse objetivo, todos os secretários da Agricultura ofereceram sua colaboração: Miró Guimarães, Garcia da Rocha, Bailão Leite, Loureiro do Amaral, Carlos Meissner Osório, Nélson Ferreira Brandão, Roullian Basaglia, José Cassiano Gomes dos Reis Júnior, Joaquim Severino, Paulo Carneiro, Reinhold Stephanes, Eugênio Stefanello, Claus Germer, Francisco Antonio Albuquerque Neto, Brasílio Araújo Neto, Osmar Dias, Luiz Roberto de Souza, José Carlos Tibúrcio.
Até chegarmos ao secretário atual, Antonio Poloni, a quem coube coroar o esforço que veio sendo somado ao longo do tempo. Também desempenhou um papel fundamental todo o dedicado quadro de funcionários da secretaria, que se debruçaram sobre o assunto.
Em 1987, com o financiamento do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) foi possível implantar o Projeto de Controle das Doenças Animais, com ênfase na erradicação da aftosa. Cinco anos depois, os profissionais do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, das Secretarias estaduais de Agricultura e representantes do setor produtivo, assessorados pelo Centro Pan-Americano de Febre Aftosa, promoveram a revisão política e das estratégias de combate à doença, tendo em vista sua erradicação total. E em 1995, com a criação do Comitê Nacional de Saúde Animal (Conasan), consolidou-se a parceria do setor público com a iniciativa privada, dando um novo impulso à causa da pecuária.
O Paraná cumpriu uma série de exigências definidas pelo governo federal e pelos organismos internacionais para chegar ao certificado conhecidos pela Organização Internacional de Epizootias. Integrando o governo Jaime Lerner na condição de secretário da Agricultura, tive a oportunidade de participar e atuar diretamente da reestruturação de toda a política estadual de sanidade agropecuária. Foi durante a nossa gestão que entrou em vigor a lei de defesa sanitária aprovada pela Assembléia Legislativa, e foi criado o Conselho de Sanidade Agropecuária (Conesa) desdobrado em 153 conselhos municipais e internacionais reunindo entidades públicas e privadas representativas das cadeias de produção.
A finalidade principal do Conesa era justamente dar apoio aos sistemas de defesa agropecuária do Paraná e coordenar as providências em busca de melhor qualidade, produtividade, competitividade e rentabilidades da produção agropecuária, de acordo com os parâmetros nacionais e internacionais.
E foi nos municípios, através dos conselhos, que o programa encontrou seus efetivos instrumentos de concretização, através da participação ativa da iniciativa privada e da divisão de responsabilidade entre o governo e os produtores.
Pode-se dizer com grande justiça neste momento em que comemoramos tão importante conquista, que a boa saúde do rebanho paranaense, agora reconhecida também fora do País, é fruto do esforço conjunto do governo, dos produtores rurais e da iniciativa privada.
Livre da aftosa, a carne aqui produzida e seus derivados passam a gozar dos benefícios proporcionados pela classificação de qualidade superior, abrindo novos mercados no exterior e assegurando melhor remuneração. A previsão é passar rapidamente de uma faturamento anual de US$ 10 milhões para US$ 60 milhões, considerando aqui apenas a carne bovina e seus derivados.
O potencial de crescimento de 240% nas exportações em três anos, confere ao Paraná a credencial de grande produtor e, ao mesmo tempo, reafirma a sua vocação agroindustrial na medida em que consolida o setor.
O desafio agora é manter o status sanitário que conseguimos alcançar e preparar os frigoríficos, modernizando-os para atender a demanda esperada, oferecendo preços compatíveis com o mercado internacional e conquistando a confiança dos importadores. As perspectivas são as melhores, e o Paraná tem todas as condições para firmar-se como grande produtor agroindustrial.
Estamos seguros de que, mais uma vez, a parceria governo-produtores rurais-inicativa privada dará resposta aos novos desafios que se apresentam, pavimentando o caminho do desenvolvimento almejado por todos os paranaenses.
- HERMAS BRANDÃO é deputado estadual e ex-secretário da Agricultura

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