PÉ NA ESTRADA Governo quer resgatar turismo rodoviário
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terça-feira, 04 de novembro de 2008
Thiago Nassif<BR>Reportagem Local 
Passar pela turbulência financeira mundial sem maiores prejuízos é o maior desafio da atualidade. Enquanto dúvidas ecoam e os ânimos oscilam à medida do sobe e desce das bolsas e da cotação do dólar, alguns segmentos tentam projetar novos horizontes. Com crescimento na casa dos 9,5% no último ano (o dobro da média mundial), o setor do turismo no Brasil tenta fazer a lição de casa. Como? Optando pela descentralização.
É o que defende o coordenador dos serviços turísticos do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch. Em entrevista à FOLHA, Moesch, que estará em Londrina amanhã para um seminário no Hotel Blue Tree, explica a importância do turismo rodoviário e da recuperação da malha viária do país, repercute a nova Lei Geral de Turismo e acena positivamente à possibilidade de o Brasil ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. ''Estaremos preparados para sediar as Olimpíadas e já demos provas de que podemos realizar megaeventos, como o Pan do Rio de Janeiro''.
Quais os benefícios previstos pela Nova Lei Geral de Turismo?
A lei estabelece uma política que prevê um Plano Nacional de Turismo anual. Com isso, vai dar continuidade à política pública no setor e proporcionar um ambiente confortável para o investidor nacional e estrangeiro, bem como para todos aqueles prestadores de serviços turísticos.
De onde vêm os principais investimentos estrangeiros no País? E quais as regiões que mais atraem esses recursos?
Da Espanha, de Portugal, da França e Estados Unidos. A Amazônia e o Nordeste são as regiões que mais contam com investimento estrangeiro. A hotelaria do Sudeste também atrai muitos investidores internacionais.
O Brasil tem apresentado taxas de crescimento no setor próximas aos 10%. Agora, com a crise mundial, qual o cenário que se configura, levando-se em conta que boa parte de nossos turistas vêm da Argentina e dos Estados Unidos?
Este ano houve um crescimento, não no número de turistas estrangeiros, mas no gasto per capta dos turistas aqui dentro. Para 2009, a estimativa é que aumente o fluxo interno, viabilizando, também, um incremento na política para o turismo doméstico. A idéia é que tenhamos um crescimento na casa dos 5%. Apesar da crise mundial, com a defasagem do real frente ao dólar, vai ficar também mais atrativo para o estrangeiro vir ao Brasil.
No paralelo com os outros países, a taxa de crescimento do turismo no Brasil está acima da média?
O Brasil tem registrado taxas maiores que a média mundial, apresentando um pouco mais. A média mundial está em torno de 3,2%.
Uma das soluções para mantermos bons índices não seria descentralizar o turismo e investir no turismo rodoviário? O que o Ministério tem feito a respeito disso?
Estamos trabalhando com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) para fazer uma resolução que permita o turismo rodoviário efetuado pelas transportadoras ou agências de turismo, e que pressupõe a utilização dos roteiros regionais com prestadores de serviços credenciados e capacitados. A intenção é buscar os índices que tínhamos com o turismo rodoviário na década de 1980, promovendo, inclusive, a recuperação da malha viária. Nós temos condições de atingir vários seguimentos, isso foi provado com o programa Viaja Mais Melhor Idade, que atingiu a venda de 150 mil pacotes no primeiro semestre deste ano. Também temos olhares, agora, para o turismo jovem. Quanto à descentralização do turismo, a intenção é resgatar roteiros históricos e culturais do País.
O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014 e pleiteia sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Temos cacife para tanto?
O Brasil ingressou na rota dos megaeventos com a realização dos Jogos Pan-Americanos no ano passado. Quanto à Copa, estamos confirmados e a dúvida que fica é só quanto ao número de sedes - são sugeridas 10 cidades e nós queremos 12. No que se refere às Olimpíadas de 2016, competimos com Chicago, Tóquio e Madrid. Temos uma vantagem pelo fato de os Jogos nunca terem sido realizados na América do Sul e os demais continentes - como a Ásia e a Europa - terem sido escolhidos recentemente. Chicago é nossa real adversária. Não podemos negar que o Brasil tem deficiências estruturais em relação a Chicago, nos EUA, mas com o apoio já garantido do Governo Federal para a realização das Olimpíadas estaremos, uma vez escolhidos, preparados para os Jogos.


