Amanhã, na cidade de Foz do Iguaçu, a Sociedade Civil Organizada da Região Trinacional do Iguassu espera reunir cerca de 40 mil pessoas num ato público de dimensão internacional, para levar a todo o mundo a proposta de ''Paz sem fronteiras''. Com mais de 100 anos de povoamento efetivo daquela área, ali vivem, junto às fronteiras do Brasil, da Argentina e do Paraguai, mais de 800 mil habitantes, distribuídos por nove cidades.
O turismo, centrado na visita às Cataratas do Iguaçu e, agora, à Itaipu, deu impulso magnífico àquela área, mas gerando crescimento acelerado e, por isso, quase sem planejamento, para diversas dessas cidades, hoje a braços com problemas urbanos dos mais complexos. Enquanto as comunidades trinacionais buscavam e conseguiam formas as mais efetivas de integração e aculturamento, criando, como que por previsão magnífica, aquilo que pode ser considerado a base mesma do Mercosul, as facilidades fronteiriças agiam em sentido contrário, atraindo para aquela região, muitas vezes travestidos de turistas, aventureiros de toda espécie, que trouxeram consigo a violência, o narcotráfico, o crime organizado, enfim.
E isto, convém observar, não pode ser debitado apenas à ação diuturna dos chamados ''sacoleiros'', pois que a eles interessa apenas reunir uns tantos volumes de mercadorias importadas e levar para suas cidades para vendê-las nas conhecidas ''Feiras do Paraguai'' existentes, hoje, nos mais diversos Estados brasileiros. Esse comércio, mesmo reprimido, muitas vezes, nenhum interesse específico tem para a área, eis que as vendas e os impostos dela decorrentes, quando efetivamente cobrados, ali não permanecem, em nada contribuem para o atendimento de suas múltiplas necessidades.
Ressalta-se, não sem o necessário assombro, a conduta das autoridades dos países ali envolvidos, que demonstram um desconhecimento quase total daquela realidade fronteiriça e até mesmo o desinteresse em ampará-la. Ao contrário, a fronteira trinacional padece sob intenso regime de fiscalização federal, e de tríplice ação, como se os três povos que ali vivem fossem protagonistas dos descaminhos já aqui denunciados.
Quer-nos parecer ter sido das mais felizes a idéia consensual de realizar um ato público que, tendo dimensão internacional poderá dar realce a uma situação fronteiriça que consideraríamos atípica e que, por isso mesmo, não pode ser enfrentada com as medidas legais costumeiras que, por costumeiras, não estão em condições de enfrentar aquela atipicidade.
Que o ato e suas repercussões penetrem os gabinetes governamentais, do Brasil, da Argentina e do Paraguai, para que, de forma também consensual, se possa permitir e, mais que isso, estimular, um processo de integração que somente benefícios trará a todos.


- RUBENS BUENO é deputado federal, presidente do PPS-PR e líder da bancada na Câmara dos Deputados
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