Paz para o Ano Novo
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de dezembro de 2002
Mário Eugênio Saturno 
Mais um ano se encerra, e como fecha o nosso balanço? Será que estamos com saldo devedor para com nossos cônjuges, filhos, familiares e amigos? Será que somos melhores do que éramos no ano passado? Que opinião terão sobre isso os que nos circundam? Será que estamos acomodados à situação? O que fizemos para melhorar os que estão à nossa volta? Quando morrermos, teremos quem chorará a perda? Verão que fomos úteis?
Quantos não maltratam suas esposas e filhos? Quantos orgulhosos não aceitam qualquer sucesso de suas esposas? Ou a diferença de opinião e ação que determina a felicidade de seus entes queridos? Quantos esposos e companheiros inseguros, escravos do ciúme, que aniquilam suas consortes? Todos indignos do estado marital que estão.
Que ganho tem o homem arrogante que despreza os outros, o colérico que maltrata seus amados, o mesquinho que só pensa em si, o hipócrita que engana, o bajulador que maquia a realidade e o orgulhoso que não pede perdão nem estende a mão? Solidão e indiferença. Tristeza, sofrimento e dor!
Trate mal os seus pais para que seus filhos saibam como proceder com você. Fale mal de seus irmãos para seus filhos aprendam como devem se tratar. Destrate seu semelhante, despreze, engane. Faça mal a todos e espere que lhe tratem bem... Quando Moisés escreveu que Deus amaldiçoa a geração do ímpio nada mais fez que constatar uma realidade. Colhe-se apenas o que se planta.
Em um mundo violento, onde as diferenças religiosas, ideológicas, raciais (existe isso?) e disputas econômicas e territoriais são motivos para guerras fratricidas (qualquer teste de DNA prova que somos parentes próximos). Em um mundo repleto de diferenças, a intolerância não tem lugar. O ser humano é gregário por natureza. Para se viver em sociedade é preciso respeito integral ao outro. Cada um tem o seu espaço e os seus direitos de pessoa humana. Convivência pacífica, é isso que o mundo precisa. A diferença não implica necessariamente que um seja melhor que outro.
Tenhamos harmonia sem comparações inúteis. Religião não deve ser palco para disputas pessoais. Cristo não é um produto a ser vendido. Nem devemos entrar em jogos de comadres. Deus é amor e amor significa união. Sigamos o exemplo do pastor presbiteriano Jaime Wright, do rabino Henry Sobel, de D. Paulo de Evaristo Arns e outros. Dessa união surgiu o projeto ''Brasil: Nunca Mais'', uma das mais belas defesas dos Direitos Humanos.
Que neste Dia Internacional da Paz seja um dia de preparo para implantação de uma paz verdadeira que brota do coração tocado por Deus.
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)


