Paz difícil entre nações com tantos ressentimentos
Cada uma das partes julga-se com razão, mas como ressentimentos milenares prevalecem sobre o entendimento e o bom senso, as guerras no Oriente Médio (e agora entre Israel e o movimento islâmico Hamas) se repetem. Se existe a disputa territorial, há ali antes de tudo ódios que passam de pais para filhos e vêm desde os tempos bíblicos.
Apoiado pelos Estados Unidos, Israel vangloria-se de seu formidável exército, do potencial bélico e das suas vitórias guerreiras, que já vêm de cinco décadas - menos quando da derrota imposta pelo Hezbollah, em 2006, e isto mexeu com os brios israelenses. Certos povos convertem-se em escravos de suas próprias conquistas e hegemonias e querem que elas se mantenham incessantemente.
Não são alentadores os indícios do que pode ainda acontecer naquele ponto do mundo. Porque o Irã, que está construindo sua bomba nuclear e - pela vontade do presidente Mahmud Ahmadinejad - quer eliminar Israel e fazer que desapareça do mundo como nação. Com toda a certeza ele não hesitará em lançar a bomba sobre o território israelense se lhe for possível, a menos que os líderes do mundo o demovam dessa loucura. Israel não deixa por menos, porque pensa em destruir por bombardeio as instalações nucleares do Irã. Qualquer um desses dois eventos instalaria mais uma crise no mundo. Israel não cessou de aperfeiçoar sua estrutura militar e tem inclusive os modernos e eficientes aviões não tripulados. O Irã prepara sua bomba, o Hamas tem 20 mil foguetes e 15 mil combatentes bem treinados, e o Hezbollah (outro poderoso movimento que se opõe ao Estado judeu e apóia o Hamas) tem nada menos que 50 mil foguetes e 40 mil homens. Os rastilhos de pólvora se entrecruzam, bastando acender o pavio para que se instale o caos.
O presidente Barack Obama, que assumirá dentro de 15 dias e está em busca de medidas salvadoras diante da crise financeira, terá de assumir outra frente e poderá ter desempenho fundamental para obtenção de mais uma trégua de paz entre os dois exércitos em combate. Durante a campanha política ele visitou Israel e disse que nenhum país aceita ser alvo de chuva de foguetes, referindo-se aos ataques palestinos contra aquele país.
O mundo - menos o Governo de George Bush - não está aprovando a reação brutal e indiscriminada de Israel, e há forte insuflação para que os vizinhos próximos não fiquem inertes e apóiem a causa palestina da Faixa de Gaza, cuja reocupação é um propósito israelense. É fácil solucionar a crise financeira mundial mas não esta que envolve nações muito bem armadas, dominadas por ódios sedimentados e dispostas a combates sangrentos, sem medir consequências.





