Pausa para reflexão
Na semana em que o líder máximo da Igreja Católica, o papa Francisco, chega ao Brasil, é importante que se faça uma pausa para reflexão. Além das discussões doutrinárias sobre religiões, o momento pode ser aproveitado para repensar sobre valores morais e éticos praticados pelos
brasileiros e que são defendidos por todas as doutrinas. Se a maioria não aprova a violência, a corrupção, o roubo e as vantagens individuais obtidas por meio escusos, entre vários outros itens, por que indiretamente continuamos a compactuar com tudo isso?
A resposta, já abordada em reportagens desta FOLHA, aponta para um passado de mais de 500 anos de história em que iniciativas como essa eram aceitas. Desde a violência praticada contra a população indígena, passando pela escravidão, ditadura militar, à corrupção ativa de agentes públicos, até chegar aos cidadãos comuns, como o famoso "jeitinho brasileiro". Todas essas práticas indignam e envergonham os brasileiros, mas permanecem arraigadas. Quanto tempo mais será necessário para que a sociedade adquira maturidade suficiente para enterrar, de vez, esse comportamento?
Iniciativas isoladas começam a surgir. Veio a pressão popular para a aprovação da Lei da Ficha Limpa e, agora, mais recentemente, eclodiu a onda de protestos em todo o País. Se a classe política faz "ouvidos moucos" a algumas reivindicações, como a própria eleição do presidente do Senado Renan Calheiros, nem tudo pode continuar sendo ignorado. Já vieram algumas mudanças, como a não aprovação da PEC 37 (que pretendia limitar os poderes de investigação do Ministério Público) e o não reajuste de algumas tarifas públicas. Mas é preciso mais.
Se a juventude, que a maioria acreditava ser alienada, conseguiu mudanças importantes em tão pouco tempo, pode-se esperar mais. Como afirmou Mahatma Gandhi, citado pelo frei Ildo Perondi na edição de ontem desta FOLHA, "a juventude sempre é esperança. Se não educarmos os jovens de hoje, na escola, na sociedade, na família e na igreja, não teremos um bom futuro". Talvez, esse futuro já tenha começado. No entanto, é de esperar que as poucas lições já ensinadas pelo papa Francisco, de humildade e simplicidade, permanecem entre os brasileiros.





