Paulo Sérgio Faria
Homem ou
primata?
Chamamos de evolução toda a transformação que leva o homem a adaptar-se de um modo mais saudável ao ambiente onde se encontra. Ao pensarmos no fim da era terciária e início da quaternária, nos colocamos diante do aparecimento dos hominídios.
A ciência assinala o aparecimento do Bipedia (Australopithecus - 5.500.000 anos), da Homo habilis (entre 2.000.000 e 1.500.000 anos), do Homo erectus (1.600.000 a 300.000 anos), Homo sapiens arcaico (entre 300.0000 e 50.000 anos atrás), do sapiens de Neanderthal (entre 120.000 e 25.000 anos) e, por fim, do Homo sapiens moderno (26.000 e 9.000).
Diante do conceito de evolução que se foi adquirindo no decorrer da história, acreditamos, ao compararmos o homem antigamente com o de hoje, que muita coisa mudou; estamos diante de uma espécie muito evoluída. Evolução externa, agrícola, industrial, e evolução interna, pensamento.
Certas atitudes, porém, tomadas pela espécie ‘‘evoluída’’, de modo especial quando se encontra em grupos, deixa-nos perplexos e convida-nos a rever o conceito de evolução.
A cada final de campeonato de futebol, além dos saldos de gols, temos um saldo de barbaridades, tais como a depredação dos ônibus de linha, postos a serviço da sociedade que para tanto paga impostos e a tarifa necessária para a locomoção.
Serão homens ou primatas esses que se dão o direito de destruir veículos colocados a serviço da comunidade? Por mais que psicólogos ou sociólogos tentem explicar a situação, nada justifica tal comportamento, que deve ser punido severamente pelos órgãos competentes responsáveis pela segurança do cidadão. Os motoristas de ônibus ficam apavorados diante de tal situação, quando a vida deles é colocada em risco juntamente com a vida dos demais passageiros.
Na maioria das vezes, acaba por estourar a questão do lado de quem não tem nada a ver com esses atos. Gente simples, que aproveita o final de semana para visitar amigos, acaba por presenciar situações absurdas de agressividade e violência. E a reforma dos veículos será repassada certamente na tarifa. Sendo assim, alguns destróem e todos pagam pelas reformas. É justo?
Acredito ser o momento de repassar as consequências financeiras sofridas pelas empresas de ônibus aos clubes de futebol. Pois, se não houvesse as partidas, certamente não haveria depredações dos ônibus. Um torcedor pensaria mais seriamente, se Homo sapiens for, em suas atitudes, se percebesse que as consequências de seus atos complicaria a situação de seu clube. É apenas questão de passar a dívida aos verdadeiros responsáveis.
Esta é uma das atitudes que nos chamam a rever o conceito de evolução. Existem outras, como o salário mínimo, as reformas nos planos de saúde, a educação pública, o desemprego, que agora não vêm ao caso aprofundar.
E da dúvida continua: homem ou primata?
- PAULO SÉRGIO FARIA é professor em Curitiba

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