BRASÍLIA - O deságio (desconto) concedido pelo governo de Santa Catarina na colocação de títulos públicos no mercado, no valor de R$ 604,46 milhões, foi mesmo de R$ 86 milhões. Ao admitir o valor, o governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) disse que concedeu ‘‘o menor deságio do mercado para esse tipo de papel’’. Segundo ele, inferior ao concedido pelos governos de Alagoas, Pernambuco e pela Prefeitura de São Paulo.
O administrador da dívida pública de Santa Catarina, Marco Aurélio Dutra, informou que os títulos catarinenses foram colocados no mercado a uma taxa over de 0,5% ao mês. O Estado de Alagoas colocou seus papéis a uma taxa over de 1,40% ao mês, Pernambuco de 0,65% ao mês e a Prefeitura de São Paulo de 0,60% ao mês. Isso significa que esses títulos foram oferecidos ao mercado com uma remuneração básica mensal igual às das Letras Financeiras do Tesouro Nacional (LFTN) acrescidos, mensalmente, desses porcentuais.
Marco Aurélio explicou que a taxa efetiva (a taxa que considera apenas os dias úteis do mês) na colocação dos títulos catarinenses foi de 0,36% ao mês, considerado um mês de 22 dias úteis.
O governador Paulo Afonso Vieira disse não ver inconveniente no fato de a dívida mobiliária de Santa Catarina ter aumentado 79% apenas no mês de outubro. ‘‘Paguei complementos de precatórios que estavam vencidos e que não foram pagos em 1994, antes do início do meu governo, com empréstimos de ARO feito na rede bancária, a custo elevadíssimos; agora estamos lançando títulos para pagar esses precatórios’’, explicou.
O governador admitiu também ter contratado o Banco Vetor para preparar a documentação necessária ao encaminhamento do pedido de emissão de títulos catarinenses ao Senado. ‘‘Da mesma forma que fez o governador de Pernambuco, Miguel Arraes’’, afirmou. Ele considerou ‘‘normal’’ que um governo estadual contrate os ‘‘trabalhos de assessoramento financeiro de um banco’’, mesmo que isso envolva a preparação de documentos oficiais que serão encaminhados ao Senado. ‘‘Tenho uma credencial muito boa, do ponto de vista político’’, disse o governador em referência a Miguel Arraes, que é do PSB. O pedido de emissão de títulos de Pernambuco, aprovado pelo Senado, é anterior ao de Santa Catarina.

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