As pessoas com mais de 30 anos lembram-se do 7 de Setembro como a data que culminava num patriotismo intenso, com hasteamento de bandeiras, cantorias do Hino Nacional e o grande desfile cívico no qual as fanfarras eram o ponto alto da festa.
Pessoas com mais de 30 anos tinham uma relação abstrata com os símbolos nacionais, dizia-se das cores da bandeira que o azul representava o céu, o verde as matas, o amarelo o ouro e o branco a paz. Alguns desses valores transformaram-se na atualidade em idealização sem nenhuma conexão com a realidade. Ocorre que as matas estão sendo dizimadas, o ouro nacional é surrupiado pela corrupção, a paz não é bem o que se vê nas redes sociais e o céu, sim, o céu ao menos continua azul.
Diante dos questionamentos, impasses e críticas à vida nacional a Semana da Pátria não pode mais viver de símbolos, o que nos obriga a fortalecer o sentido de cidadania por ações mais sinceras.
Esta semana, no caderno Folha Cidadania, a FOLHA investiu neste tema tão caro às escolas: o patriotismo e com alegria a reportagem descobriu uma escola municipal – entre outras – que aposta no patriotismo como um atributo à serviço da realidade. Hoje, as crianças chegam com mais informação e na Escola Arthur Thomas a atuação tem sido aproveitar este conhecimento para contextualizar temas atuais. Ou seja, a cidadania, prima-irmã do patriotismo, frequenta as aulas na forma de pesquisas e debates dos temas contemporâneos. Um dos temas foi a exploração da Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), que havia recebido autorização do presidente Temer, por decreto e sem consulta ao Congresso, para exploração de empresas privadas. A reação nacional foi tão intensa que o governo federal foi duramente repreendido tanto pelas autoridades – um juiz suspendeu o decreto – quanto pelos ambientalistas e a população que mostraram que hoje as políticas ambientais do País não podem ser resolvidas numa canetada. Disso nasceu o movimento Todos Pela Amazônia.
O que importa, é que patriotismo não tem mais apenas um caráter simbólico, embora os símbolos sejam bem-vindos, mas exige uma consciência que organiza movimentos no momento em que os governos desafinam suas fanfarras. As escolas, os alunos e os professores brasileiros mudaram para melhor e se temos muito a criticar, também temos muito a comemorar hasteando bandeiras que levam em conta a realidade e não uma abstração sobre a Pátria que merece respeito não só nas datas cívicas, mas no embate do cotidiano. Ninguém aguenta mais as aves de rapina neste céu azul.

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