O professor de história da Universidade Estadual de Londrina, Francisco César Alves Ferraz, acredita que a imposição de cerimônias de reverência à pátria pelos governantes acabou desestimulando a vivência desse sentimento pela população. ''Teve uma época em que éramos obrigados a ouvir todos os dias o hino nacional, a participar de cerimônias de hasteamento da bandeira e isso criou uma certa resistência'', diz. ''Enquanto isso acontecia algumas pessoas eram torturadas e sofriam os horrores da ditadura'', completa.
O professor explica que o sentimento de pertencimento a uma região, a uma comunidade, é natural em grupos humanos. O problema é que parte desse sentimento de identidade com a pátria foi usado por grupos de direita mais agressivos. ''O sentimento de patriotismo era usado para alimentar a guerra, conflitos, inimizade'', explica o professor.
Na opinião de Ferraz, ainda hoje a idéia de patriotismo acaba criando uma imagem de confronto quando deveria despertar o sentimento de brasilidade. ''Acaba implicando numa exclusão do outro e eu não concordo com isso'', opina. Para ele, a maior parte das pessoas tem dificuldade de demonstrar o amor pela pátria. ''Tem gente que ouve o hino nacional e sente vontade de chorar. E confessa isso com vergonha porque acha que ter emoção e sentimento em relação à pátria é algo idiota'', comenta o professor. Ele observa que pessoas com formação militar preservam um forte sentimento de patriotismo.
Ao contrário do que ocorreu no passado, diz Ferraz, hoje são raros os momentos em que os símbolos nacionais são reverenciados. ''Isso só no 7 de setembro, antes era comum assistir ao hasteamento da bandeira todos os dias'', recorda. ''Hoje vejo uma vivência mais positiva, orgulho de ser brasileiro em horas que esse sentimento brota naturalmente, sem necessidade de uma convenção'', analisa.(L.M)

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