O 7 de setembro é uma data que representa muito pouco no imaginário coletivo.
Para ser cultuada como expressão de amor à pátria, a data simbólica teria que, de fato, representar algo para as pessoas. A opinião é da professora de sociologia da Universidade Estadual de Londrina, Maria José de Rezende. Ela afirma: ''A data em si não representa mais nada, principalmente para as novas gerações que estão se distanciando mais e mais desses símbolos, desses conceitos de pátria representados por uma data no calendário''.
Doutora em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), a professora observa que, ao longo do século XX, o Brasil viveu várias formas de nacionalismo. Todos os governos tentam invocar a idéia de pátria, de nação, de interesse nacional na sua busca por legitimidade. ''Os governos autoritários têm uma tendência a abraçar um nacionalismo que se sustenta através de símbolos nacionais, por exemplo'', diz. Ela explica que há a construção de simbologias que representam a nação: ''A estratégia psicossocial da ditadura militar estava assentada nisso.''
Durante 20 anos, recorda a professora, houve um empenho em impor determinados valores para a população. ''O patriotismo construído pela ditadura militar deixou sequelas nas gerações mais velha'', afirma Maria José de Rezende. Ela questiona: ''Mas a nova geração não teve contato com esse tipo de patriotismo. Portanto, fica muito difícil explicar por aí a ausência de um dado sentimento de pátria. Será que essa ausência existe mesmo?''.
Sobre o sentimento vivido pelos brasileiros que costumam demonstrar orgulho quando atletas sobem ao pódio e exibem a bandeira nacional, a professora afirma que não é apenas em situações como essa que o sentimento de amor à pátria é despertado. Ela cita pesquisa feita em 1997 por um instituto do Rio de Janeiro na qual 87%dos entrevistados disseram ter orgulhoso de ser brasileiro. ''Isso é um tipo de sentimento de patriotismo'', ressalta. Os motivos desse orgulho eram variados, mas ganharam destaque os ligados à natureza, à beleza do País e ao caráter do povo.
Conforme Maria José de Rezende, a confusão que se faz entre pátria e Estado, por se tratar de conceitos complexos, é compreensível. ''O cidadão descontente, na maioria das vezes, com o cotidiano da vida política, intui que os problemas estão ligados ao sistema político em vigência no País. Os descontentamentos não chegam a colocar em questão a ação do Estado. Pelo contrário, o que a sociedade pede mais e mais é uma atuação mais efetiva do Estado nas diversas áreas'', ela acredita.

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