O papel das áreas verdes, nascentes e fundos de vale na preservação ambiental e como parte do desenvolvimento urbano e econômico de Londrina foi o mote do10º Fórum em Debate, promovido pelo Fórum Desenvolve Londrina, na quinta-feira (24).

Ao longo do encontro, especialistas e representantes do poder público defenderam que Londrina precisa mudar a forma como se relaciona com seu patrimônio natural. Em vez de considerar nascentes, fundos de vale e áreas de preservação como obstáculos para a expansão urbana, a proposta é incorporá-los ao planejamento da cidade e criar usos que aproximem a população desses espaços.

Neste ano de 2026, o tema do 10º Fórum em Debate foi justamente “Parques e Áreas Verdes, Infraestrutura Verde e Azul de Londrina”. Presente no evento, o prefeito Tiago Amaral (PSD) destacou o potencial econômico e social dos fundos de vale. Segundo ele, essas áreas ainda são vistas, muitas vezes, como problemas por criarem barreiras à circulação entre diferentes regiões, mas podem se transformar em ativos urbanos.

Para Amaral, Londrina poderia contar com quatro ou cinco grandes parques lineares, conectando diferentes regiões com espaços para caminhada, corrida, lazer e convivência. Para ele, a utilização planejada dessas áreas também pode contribuir para que os moradores se apropriem dos espaços e passem a atuar como agentes de preservação.

Aos presentes, o professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), meteorologista e especialista em engenharia ambiental e resiliência urbana, Jorge Alberto Martins, falou da relação entre preservação ambiental e necessidade de preparar as cidades para eventos climáticos extremos.

Entre os problemas que devem ganhar importância nas próximas décadas estão as ondas de calor e chuvas intensas. Nesse cenário, segundo ele, árvores, áreas permeáveis, jardins de chuva, parques e outras soluções baseadas na natureza podem ajudar a reduzir os impactos sobre a população e sobre a infraestrutura urbana.

Também palestrante do fórum, a especialista em engenharia de tráfego e planejamento de trânsito Danaê Fernandes propôs a criação de governança de longo prazo para transformar o patrimônio ambiental de Londrina em parte efetiva do planejamento urbano.

Entre as ideias debatidas está a atribuição de valor econômico aos recursos naturais como forma de pensar nestes espaços como locais de investimentos para sua manutenção, e não como valor de compra e venda.

Importante trazer para o debate a questão da preservação ambiental e o desenvolvimento urbano econômico de um município. Londrina precisa deixar de enxergar seu patrimônio natural como entrave e incorporá-lo ao planejamento urbano. Preservar nascentes, fundos de vale e áreas verdes é também investir em qualidade de vida, resiliência climática e desenvolvimento sustentável.

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