Patrick, de 18 anos, o rapaz que invadiu a FOLHA no início da noite de sexta-feira, provavelmente fez parte daqueles grupos de crianças que, 10 anos atrás, ficavam nos sinaleiros pedindo ajuda ou limpando os vidros dos carros. Foi pensando no futuro daqueles meninos, expostos ao perigo, que a FOLHA em mais de uma oportunidade, alertou os governos municipal, estadual ou federal, que o lugar dos menores era na escola, em busca de uma profissão. E que para estruturar suas famílias era necessário estimular o emprego dos pais e irmãos. Sem emprego, sem dignidade e sem perspectiva, os pais abandonam os filhos. Logo, Patrick e tantos outros são fruto da ausência de políticas públicas. Políticos não vão à raiz dos problemas, preferem o paternalismo superficial. Patrick rasga o braço de pessoas, mete o revólver em outras que não lhe apontam o caminho do cofre.
Mas Patrick é uma vítima. Pior que Patrick é a escolha de seus contemporâneos de indigência que encontraram abrigo no tráfico. Pensando bem, pouca diferença. E, de novo, estamos frente a frente com vítimas da ausência do Estado. Ou o leitor conhece algum político que, um dia, tenha proferido uma só frase contra o tráfico? Na verdade o que existe são suspeitas de seus envolvimentos. Medrosos ou coniventes, os políticos se acovardam. Falam de tudo, entendem de tudo. Mas se omitem com relação às drogas e ao tráfico de armas. São eficientes, porém, em desarmar a população pacata e trabalhadora.
Nos próximos dias, Patrick - como centenas de colegas de sinaleiros, que o Estado não amparou -, estará nas ruas. Acreditemos em Deus, para que a sociedade o adote dando-lhe oportunidade, se ainda há tempo. Do contrário, será preso tantas vezes e tantas vezes será solto. Por quê? Porque além dos benefícios de uma legislação velhaca, ainda encontrará um Judiciário na iminência de ser contaminado pelo mesmo populismo governamental.
Mas o populismo evoluiu. Agora, ao dar alimentos (uma ação, necessária e que todos aprovam), no entanto, leva embutido um viés comprometedor. Estimula o desemprego e induz a prole. Se há falhas, injustiça ou desperdício na distribuição, não importa. Tem para todos. Até para quem não precisa (ver nossa manchete). O importante é garantir o voto.

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