Pátria amada, Brasil
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sábado, 06 de setembro de 2003
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
''O vira do Ipiranga, as margens clássicas...''. É assim que Pedro Henrique, 9 anos, começa o Hino Nacional. O entusiasmo dura pouco, Pedro só sabe cantar a primeira estrofe: ''tem também aquela parte do gigante, como é mesmo?'', se esforça o menino. ''Mas o final eu sei: ... é mãe gentil, terra adorada, Brasil'', finaliza, orgulhoso. Aluno de uma escola pública, Pedro não é nenhuma exceção: a maioria dos colegas dele também não sabe cantar o Hino Nacional.
As crianças da 3®MDBO¯ ®MDNM¯série da Escola Municipal Professor José Gasparini, no Conjunto Farid Libos (zona norte), não lembram o motivo do feriado de 7 de Setembro. Renata Rosa, aluna da 4 série, diz que ''é dia do Brasil. Portugal estava explorando a gente e daí a gente ficou livre e deixou de ser explorado. Independência é isso, eu acho'', arrisca a menina. Todos sabem quem declarou a Independência: Dom Pedro I, mas não lembram direito se ele era rei ou imperador.
Aluno da mesma escola, Bruno Barreto diz que sabe cantar o Hino Nacional mas só lembra da primeira estrofe: ''Depois desse pedaço vai complicando e a gente começa a errar'', se desculpa. Os colegas resolvem ajudar. As crianças se atrapalham com as palavras mais difíceis e as substituem por outras: ''garrida'' vira ''mais que a vida'' e em vez de ''flâmula'', cantam ''o verde louro desta fórmula''. Ninguém sabe o significado de fúlgidos ou lábaro. Cantam a segunda parte do hino no lugar da primeira e terminam com um último erro: '' és tu, Brasil, és tu Brasil, ó pátria amada. Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil''.
As gêmeas Carla e Carina Dalbelo, da 3 série, nunca participaram de um desfile: ''A gente queria tanto desfilar, deve ser super legal'', diz Carla. ''Aqui todo mundo queria desfilar'', resume Bruno. A escola não participou do desfile ano passado e também não vai desfilar
este ano.
Do outro lado da cidade, na zona oeste, um grupo de alunos da 5 e 6 séries da Escola Ruy Virmond Carnasciali, pretende dormir até mais tarde hoje.
A escola não vai participar do desfile. Maykon Douglas, Alisson Thiago, William Ruiz e Jonathan Henrique nunca desfilaram. Eles sabem que a data comemora a Independência do Brasil mas não conseguem explicar direito o que isso significa: ''Acho que foi a independência dos índios, quando aquele cara falou Independência ou Morte na terra dos indios'', supõe Alisson. Aquele cara, todos concordam, era Dom Pedro I, ''um escritor'', segundo Maykon. O Ipiranga, de acordo com Jonathan, era um posto de combustível. ''Não era nada, era um rio, eu acho'', corrige Alisson. Os meninos confessam que não sabem cantar o Hino Nacional e nenhum dos outros hinos da pátria. Rafael Aparecido é o único que garante saber a letra do Hino. Diz que aprendeu no livro de história mas se recusa a cantar. ''Aqui a gente só canta o hino nacional no dia da independência'', explica.


